Quero um poema pequeno,
que seja grande,
que saiba falar,
com palavras simples, o que
o coração pode sussurrar; que
seja igual a grandeza
que o coração sabe guardar;
que seja o infinito do coração
que sabe amar...
Neri de Paula Carneiro
livre pensamento e propostas de discussão... textos sujeitos a revisões
Quero um poema pequeno,
que seja grande,
que saiba falar,
com palavras simples, o que
o coração pode sussurrar; que
seja igual a grandeza
que o coração sabe guardar;
que seja o infinito do coração
que sabe amar...
Neri de Paula Carneiro
Meu medo é não ter medo e me tornar
temerário: não temer magoar quem ama
para admirar quem açoita, esse é o drama.
Ensinou o velho Raul:
“Conserve seu medo”, pois com ele aceso
se pode perder o “medo da chuva” que
volta pra terra trazendo “coisas do ar”
Meu medo é não ter medo do medo
e sem medo arriscar. Se não arriscar,
como perder o medo?
Não perde quem arisca, mas que teme
ariscar e perder e por medo de perder
deixa de ganhar. Vence não
quem teme, mas vive “sem medo de nada”
Meu medo não é ter medo, mas não ter medo
e sem medo, confiar como quem
confia na bengala.
A bengala é fiel, infiel é quem
provoca a cegueira.
Cego é quem nada sabe e, por medo
do saber, nega o saber, ensina mentiras.
Meu medo é não ter medo de não ter medo.
Temo não o incerto, mas a certeza
de quem não sondou e crê. A fé não
é admirar o incompreensível, mas
saber das possibilidades.
Não foram as certezas que impeliram
a humanidade, mas os medos.
Neri de Paula Carneiro.
Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador
Outros escritos do autor:
Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.
Como posso cantar as flores
se ao meu lado choram sementes?
Como posso cantar alegria do encontro?
se ao meu lado choram as despedidas?
Como posso cantar a natureza
se ao meu lado choram as rosas?
Como posso cantar o luar
se ao meu lado chora o alvorecer?
Como posso cantar um novo dia
se ao meu lado choram raios de sol?
Como posso cantar jardins floridos
se ao meu lado choram os beija-flor?
Como posso cantar o amor
se ao meu lado choram as noites?
Como posso cantar nossa melodia
se ao meu lado grita tua ausência?
Como posso cantar nosso encontro
se ao teu lado sou só saudade?
Neri de Paula Carneiro
Verde!!!
Ah! O aconchego da brisa.
Natureza vibrante de vida,
transmitindo vida!
Vigor, vitalidade: esperança!
Certeza: natureza
viva, vivificante!!!
Esverdeado!...
Força decadente...
Natureza morrente…, descrente….
Só, se sente impotente...
Quente: sol escaldante…
deprimente.
Desfolhada. Desolada findante.
Aquilo que era antes vigor e vitalidade
Agora são galhos secos qual dedos
cadavéricos, dedos enrijecidos.
Galhos já falecidos.
Quando vão verdejar?
Amarelecida...
Esperança finda…, aquela esperança,
ainda teima em resistir...
Resiste em sucumbir…
Refazer o verde e florir. Reflorir!
Neri de Paula Carneiro
Se soubesses, morena, o que esconde
meu sonho contigo…
Pensando em ti, me vejo acordado.
Sonhando te vejo.
Meu sonho é desejo.
Se soubesses, morena, o que trago
escondido na mente…,
acordavas comigo enlaçando
teu corpo na noite.
Tua ausência, um açoite
Se soubesses, morena, o que sonho...
Todo instante recordo
que é sonho somente. Lamento
não ter ao meu lado,
teu corpo ao meu abraçado.
NERI DE PAULA CARNEIRO
Tudo que foi
pensado,
mesmo só pensado,
já foi dito
no pensamento
de quem pensou
aquilo que
pensou dizer.
E o que pensou
passou a ser.
Assim, antes de ser
existente,
a Palavra existe
no pensamento
com o Espírito
do Criador e
assim tudo se fez.
Neri de Paula Carneiro
O que faz o artista
das letras,
o poeta, o escritor?
Diz: amor!
Com primor!
No poema, a escrita, a palavra
do poeta, diz
nada além de dizer
o que outro já disse,
mas o diz de uma forma
nunca dita:
bem dita!
O dito do poeta,
do escritor, do artista,
será redito por outro:
outro escritor,
outro poeta…
palavra seleta.
E o novo dito será dito de forma
ainda não pensada, nem dita:
beleza infinita!
E o artista grita:
O novo dá prazer!
Neri de Paula Carneiro
O além é o horizonte,
mas o horizonte
é tão perto...
Não, não se trata de horizontes,
porém de esperança por algo
que não está aqui,
mas logo ali.
Acontece que a esperança
não está no horizonte
que está no além…
Ela está ali
presente na forma de um sonho.
Neri de Paula Carneiro
Floresce
pequenina, somente a semente.
Nasce a semente, cresce, se
semeada em solo quente,
floresce.
Floresce,
pequenina semente
quando deveras semeada,
cultivada pequenina semente.
Se mente, a semente que cresce, não
é flor, mas somente gente ceifando sonhos.
A vida fenece se plantada a malícia,
no sutil canteiro do engano.
Não é flor, nem semente,
é somente o mal que
floresce.
Floresce
a pequena semente. Se mente, não
cresce, não merece o plantio.
Somente a semente
floresce.
Tudo novo e se renova sobre covas!
Toda morte se aprova. Vida? Uma ova!
Todo lucro se converte.
Sua fé?
Um corpo inerte,
estraçalhado, torto,
morto.
Não porque a morte o matou,
mas porque o lucro
mandou.
Morrem, na guerra, os filhos
de quem põe o mundo nos trilhos.
Enquanto choram os pais do país,
de longe generais apertam o gatilho.
Quem comanda esse desmando,
sorri, colhendo sacos de dinheiro.
Protege seu filho no puteiro,
mata o país inteiro
e repousa no esterco,
chafurdando no chiqueiro.
Neri de Paulo Carneiro
Quero um poema pequeno, que seja grande, que saiba falar, com palavras simples, o que o coração pode sussurrar; que seja igual a gra...