Você sabe quem disse esta frase? O apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios (6,12).
E porque ele disse isso?
Todo texto bíblico deve ser lido dentro do contexto. Assim sendo, temos que levar em conta o contexto de Paulo, da comunidade e o conjunto do texto. Com isso em mente, temos que nos perguntar em que contexto o apóstolo escreveu esta carta e aí entenderemos porque disse isso e como aplicar isso em nosso contexto litúrgico.
Só assim entenderemos nosso papel na celebração litúrgica.
A frase toda de apóstolo diz assim: “ ‘Tudo me é permitido’, mas nem tudo convém. ‘Tudo me é permitido’, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma” (1Cor 6,12). E ele está falando isso porque nessa comunidade as pessoas estão desrespeitando umas às outras e degradando o próprio corpo.
O apóstolo está falando isso porque na comunidade de Corinto existem muitas coisas que as pessoas fazem livremente, mas nem todas as coisas são agradáveis a Deus. O que agrada a Deus, diz Paulo é cuidar bem do corpo, pois nele habita o Espírito Santo. Portanto, ninguém pode maltratar o próprio corpo nem o de outra pessoa.
Se o Espírito vive em nós, significa que a própria Santíssima Trindade está em nós, pois fomos batizados em seu nome.
E sabendo que toda a liturgia e tudo que fazemos nas nossas celebrações tem como objetivo nos unir àquele que nos fortalece, àquele que vive em nós, somos convidados a fazem bem nossa celebração litúrgica, pois este é um momento de especial, no qual cada um de nós estabelece contato com o Senhor. Ou seja, é por Deus e por aquilo que ele nos ensina que participamos das celebrações e executamos as atividades litúrgicas.
E aqui está um dado importante: Nossa obrigação é PARTICIPAR da celebração litúrgica e não apenas visitar a igreja; ou fazer dela um espeço de encontro e de interação social.
Mas, em que consiste esse PARTICIPAR?
Consiste em fazer aquilo que nos compete e não interferir naquilo que compete ao outro: Tudo posso, mas nem tudo me convém!
Em nossas celebrações, tanto da palavra como da Eucarística (a Missa), existem partes que cabem somente ao presidente da celebração; partes desempenhadas por algumas pessoas e partes destinadas a toda a assembleia. Da mesma forma: existem gestos e palavras que todos devem executar e atitudes que não cabem nas nossas celebrações.
Então, o que é Liturgia?
Liturgia é uma palavra que significa ação do povo. É o conjunto de atos, palavras, textos gestos, melodias… executadas por um grupo orante durante uma ação celebrativa. E isso é feito dentro de um ritual preparado pela Igreja.
Porém, devemos entender que a liturgia não é a ação do padre ou do presidente da celebração; não são os cantos litúrgicos, entoados durante a celebração; não são as leituras, proclamadas durante a celebração; não são as preces nem o sentar, ajoelhar ou ficar em pé durante a celebração; não é comungar ou responder às partes que cabem à assembleia, durante a celebração… não é nada disso, feito por cada individuo isoladamente, mas é, ao mesmo tempo, tudo isso, realizado de forma a ajudar toda a assembleia a se sentir mais intimamente ligada Deus.
A celebração litúrgica é: * o presidente dizendo algo e a assembleia respondendo; * uma pessoa fazendo uma leitura e a assembleia ouvindo e, ao final respondendo; * são as preces proferidas individualmente, mas que toda a assembleia se junta para pedir que Deus as acolha (ao dizer: “atendei à nossa prece”); * é a assembleia toda entoando cantos de acolhida, de oferenda, de partilha, de caminhada, de louvor, de agradecimento…
TODOS devem cantar os cantos litúrgicos, durante a celebração. Os cantos litúrgicos, assim como toda a celebração, não é momento para apresentações ou shows pessoais. Por esse motivo. A equipe que inicia (que pucha) os cantos, deve ensaiar bem entre si e ajudar a assembleia a aprender a melodia e a letra de cada canto. Pois os cantos são preces e pedidos e intercessões e agradecimentos… de toda a assembleia.
Mesmo o salmo: o solista entoa as estrofes e a assembleia responde com o refrão. Da mesma forma a “Oração dos fiéis” ou “oração da assembleia”: uma pessoa lê as preces e a assembleia intercede pedindo que Deus aceite o pedido. Quer dizer, a assembleia assume como sua, a prece de cada indivíduo.
Portanto, a celebração litúrgica é de todos, pois a Igreja somos todos e não só alguns iluminados ou privilegiados; a ação litúrgica da Igreja só ocorre com a participação de todos.
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E quais as atitudes que não cabem nas nossas celebrações?
a) Individualismo: A ação litúrgica é ação de um corpo, chamado Igreja e num corpo todos os membros são importantes;
b) Ostentação: atitude e postura de quem quer fazer para se mostrar, querendo ser modelo, exemplo a ser seguido. O único modelo a ser seguido é o de Jesus de Nazaré;
c) Superioridade: Atitude de quem pensa que a celebração lhe pertence. A celebração é uma ação litúrgica da Igreja, ninguém tem direito de se apropriar querendo fazer “do meu jeito”. O único jeito correto é o jeito da Igreja.
d) Atitudes incômodas: Atos ou atitudes que geram distração ou interferem na oração e na sintonia com Deus. Para evitar isso, tudo tem que ser preparado antes: microfone, folhas ou livro de canto, folhetos da celebração, organização da credência; limpeza do ambiente e organização dos bancos; ornamentação… Nada pode ser improvisado ou realizado sem preparação das equipes correspondentes, pois além de mostrar negligência mostra desinteresse para com as coisas de Deus e da Igreja.
e) Acomodação: a postura de quem chega em cima da hora ou atrasado demonstra irresponsabilidade, pois mesmo que tudo esteja preparado, podem surgir imprevistos; a acomodação evidencia a postura de quem não se coloca à disposição para ajudar a organizar o ambiente celebrativo; postura do tipo “eu faço a minha parte e os outros que se virem”. Esse tipo de atitude demonstra, além de imaturidade, falta de empatia, falta de sintonia, falta de dedicação a Deus e à sua Igreja.
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A Igreja, a celebração e os atos litúrgicos, são expressões de um corpo. Num corpo os membros não agem como se não fizessem parte de um conjunto. Pelo contrário, cada membro, cada parte do corpo existe para que todo o corpo seja saudável. Qualquer parte do corpo que não funcione bem, prejudica o todo e faz o corpo sofrer. O corpo só está bem quando todo ele está saudável. Cada um de nós, portanto, tem que assumir sua responsabilidade para que o corpo da Igreja seja saudável.
Neri de Paula Carneiro