O que celebramos na solenidade da Santíssima Trindade?
Quem é o nosso Deus?
Como iniciamos nossas orações?
Nosso Deus é um ou são três?
Em que parte da Bíblia está escrito que Deus é Trindade?
Vamos por partes. Na solenidade da Santíssima Trindade, evidentemente celebramos nosso Deus que é um só em três pessoas. Essa, portanto, é uma das mais importantes celebrações da fé católica. E, podemos dizer, está intimamente ligada à nossa profissão de fé. Basta nos lembrarmos o que dizemos quando recitamos o “Creio”: “Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador…”; depois dizemos acreditar em “Jesus Cristo, seu único filho… que há de vir julgar…” e continuamos dizendo: “creio no Espírito Santo”.
Nossa profissão de fé, portanto, é uma fé trinitária. Uma fé que se manifesta na Igreja, naquilo que a Igreja nos ensina a acreditar porque isso nos conduz para a vida eterna.
Portanto, celebrar a Trindade é celebrar a fé em Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Por esse motivo, desde muito cedo, nossas famílias nos ensinaram a traçar sobre nós o “sinal da cruz” repetindo as palavras “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. E dessa forma iniciamos e concluímos nossa orações.
Disso decorre a pergunta que deixa muita gente em dúvida. Não sem fé, mas numa situação de incerteza: é um ou são três deuses? Isso de Santíssima Trindade está na Bíblia?
De forma bem simplificada podemos dizer: um só Deus e três especialidades.
Quanto à Bíblia: não encontramos um texto da Bíblia em que aparece a afirmação de que Deus é Pai e Filho e Espírito Santo. O que encontramos são afirmações dos atributos divinos. Assim temos a face criadora do Deus Pai; a face Salvadora de Jesus de Nazaré, o Cristo e a face santificadora, geradora de comunhão, do Espírito Santo.
Isso podemos observar nas leituras que a Igreja nos apresenta para a celebração da Santíssima Trindade.
No livro do Êxodo (34,4b-6.8-9) vamos nos deparar com Moisés pedindo os favores de Deus para que esteja junto com seu povo: “caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados” (Ex 34,9).
Embora não mencione a Trindade, Moisés enumera atributos divinos: “Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. A partir dessas características, desses atributos é que passamos a identificar as Pessoas divinas. Mas aqui ainda estamos no contexto do Antigo Testamento e a revelação divina ainda não tinha se completado. Isso só se deu em Jesus Cristo.
Por isso é que quando lemos o trecho da carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 13,11-13) nos deparamos com suas palavras esclarecedoras.
O apóstolo nos ensina a nos alegramos no Senhor, apoiarmo-nos mutuamente, viver em comunhão e em paz.
E por que Paulo faz essa recomendação? Para que cresça na comunidade a “graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo”.
Notemos: aqui o apóstolo menciona as três pessoas, embora não use, como nós, a expressão Pai, Filho e Espírito. Sua fórmula é levemente diferente, mas menciona as três Pessoas.
Quando lemos o trecho do evangelho de João (3,16-18), compreendemos melhor.
O que ele diz? Afirma que “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho”. E aqui o raciocínio é simples: Se Deus enviou o Filho é porque ele é Pai. Assim, a afirmação de Paulo, mencionado o amor de Deus, a graça de Jesus e a comunhão do Espírito completa a Trindade.
Assim temos que Deus é Pai de amor, porque nos deu a criação para nela crescermos; Jesus é Filho e como tal veio a nós para nos redimir. A redenção, embora seja um dom pessoal destinado a cada indivíduo, depende da interação entre nós, por isso vem sobre a Igreja a comunhão do Espírito, para que os indivíduos aprendam a viver em comunhão, como existe comunhão na Trindade.
Isso nos ensina uma canção sobre o Espírito Santo, na qual irmã Miria Therezinha Kolling e Lúcio Floro explicam a Trindade: "Aconchegais como se fosse um ninho, convosco o Pai, o Filho em tal união, que Deus é único sem ser sozinho: são três amando num só coração".
É um só Deus, agindo de três formas diferentes e nos convidando a vive em comunidade pois assim criamos comunhão, que é o dom do Espírito. Assim podemos nos ajudar a caminhar no caminho do perdão, pois vivemos entre irmãos limitados e fracos, carentes do perdão do Filho e todos nos dirigimos ao Pai que nos quer em seu amor, agora e para sempre.
Neri de Paula Carneiro