21.5.26

O católico na celebração

Como um católico deve se comportar, durante as celebrações?

O que podemos e o que não podemos fazer, durante a celebração da Palavra ou durante a Missa (Celebração da Eucaristia) ou nas celebrações dos outros sacramentos?

Antes de respondermos isto, temos que nos perguntar: o que vamos fazer na igreja (o templo) em que nos reunimos para a celebração? (Lembrando que chamamos de igreja – escrita com letra minúscula – aquela construção onde nos reunimos para celebrar. Diferente de Igreja, que é a assembleia dos fiéis. Podemos dizer que a Igreja reúne-se na igreja).

Vamos à igreja para: encontrarmo-nos com os demais membros da comunidade que comungam a mesma fé; celebrar nossa fé; ouvir a Palavra de Deus; participar da celebração que faz a memória da entrega de Jesus.

Não vamos à igreja para: bater papo; mostrar uma roupa nova; mostrar que sabemos mais do que os outros; fazer fofoca; falar da vido dos outros…

A igreja, nosso templo, é uma casa de oração, por isso foi que Jesus se zangou (Jo 2,16) contra aqueles que haviam transformado o templo num ponto de encontro e comércio. O templo, é casa de encontro, para a oração em comum.

Lembremo-nos que Jesus ensinou duas formas de oração:

Oração individual para fazer no silêncio das nossas casas (Mt 6,6);

Oração comunitária (Mt 18,20), no templo. Jesus mesmo fazia dessa forma: afastava-se do grupo para orar em silêncio e frequentava o templo para as orações em comunidade.

Nossa sintonia com Deus deve ocorrer em nosso cotidiano, em cada momento, em cada ação, no silêncio do nosso coração. Também deve ocorrer, pelo menos uma vez por semana, em sintonia com os demais crentes, na casa de oração, junto com toda a Igreja.

A oração pessoal pode e deve ser feita em qualquer lugar; em qualquer momento. Para agradecer e pedir.

Por que devemos nos reunir, na casa de oração? Para agradecer a Deus os dons recebidos; para pedir graças; para nos fortalecermos diante das dificuldades; para rezarmos uns pelos outros.

E como devemos fazer essa oração comunitária? PARTICIPANDO das celebrações!

O encontro na casa de oração não é para assistir à Missa, nem para ouvir o que dizem os ministros. A igreja não é uma casa de espetáculo onde vamos assistir a uma apresentação. Nem a equipe que dirige a celebração são artistas apresentando-se em um show. O padre, os ministros, a equipe de cantores, os leitores, os salmistas, os acólitos e coroinhas… estão realizando uma função litúrgica e não numa apresentação teatral; não estão ali para serem vistos, aplaudidos ou criticados. Sua função é ajudar a comunidade a participar de um ato celebrativo. E a comunidade, a Igreja, também está lá para celebrar e, portanto, não deve permanecer indiferente a tudo que acontece. Para isso, a equipe que conduz a celebração tem a função de motivar a todos para a celebração; ajudar a todos a entrarem em sintonia com Deus.

Assim sendo, se a celebração é o ponto de encontro e sintonia com Deus, não é momento de: conversar com quem está do lado; mexer em celular; reparar a roupa, o cabelo ou qualquer outra coisa das pessoas. Não é momento de sair para tomar água nem levantar para dar um passeio lá fora. É tempo de prestar atenção no que está sendo celebrando; aproveitar para estabelecer um clima de intimidade com Deus; seguir, com atenção, os ritos litúrgicos que são canais de encontro com Deus.

O encontro celebrativo é para participarmos como um corpo. Podemos entender melhor se compararmos a uma refeição. Vamos usar o almoço como exemplo. Quais partes de nosso corpo usamos para almoçar? as mãos, a boca e na maioria das vezes nos sentamos. Porém, quando ingerimos o alimento, todo o corpo participa, no processo digestório e na assimilação dos nutrientes. As mão não são mais importantes que os pés, pois sem os pés não conseguimos chegar até onde as mão vão manipular o alimento… e assim todos os demais membros do corpo.

A equipe litúrgica pode ser comparada com as mãos que manipulam o alimento para que todo o corpo seja alimentado: são as mãos que entregam o alimento ao corpo que é a comunidade; as mãos que servem o corpo.

Os diferentes membros do corpo de Cristo, que é a Igreja, reúnem-se para celebrar. E isso só acontece quando não agimos como se fossemos plateia num show ou num teatro. A celebração, portanto, depende da nossa participação. A celebração é um diálogo da comunidade com Deus.

Em qualquer lugar, em qualquer tempo, para que haja um bom diálogo, é necessário saber ouvir e saber falar.

Em nossa conversa com Deus, que ocorre na celebração (tanto da Missa como da Palavra) existem momentos em que Deus nos fala e nós ouvimos. E momentos em que nós falamos e Deus nos ouve: saber ouvir e saber falar.

E quais as posições de nosso corpo, durante esse diálogo, que é a celebração, ou o ato litúrgico?

Durante a celebração há momentos em que nos ajoelhamos, sentarmos e ficamos em pé

O que significam os gestos de ficar em pé, sentar e ajoelhar?

Em pé é a atitude de prontidão. É a atitude de quem ressuscitou e está pronto para caminhar com Jesus. Sentado é a atitude do discípulo que ouve. É a atitude de quem se dispõe a ouvir o ensinamento, a proposta de Deus para ser vivida ao longo da semana e durante toda a vida. Ajoelhado é a atitude de prostração. É a atitude de quem está morto nas fraquezas, na indiferença, no pecado. Por isso é que depois de se ajoelhar, a pessoa se levanta como a dizer que estava morto e com Cristo está ressuscitando.

Iniciamos a celebração em pé, por que é momento da chegada, do encontro. Depois nos sentamos para ouvir o que Deus nos tem a dizer, nas leituras. Ficamos em pé para acolher e ouvir Jesus falando na proclamação evangelho. Sentamos, novamente para ouvir a explicação das propostas que Deus nos fez por meio de sua Palavra.

O sinal de que estamos cientes, entendemos e concordamos, com a proposta divina é colocarmo-nos em pé. Levantamos dizemos que acreditamos e por isso fazemos nossas confidências ao Senhor: oração do creio e as preces.

Agradecendo a generosidade divina, nós nos oferecemos a ele. Oferecemos nossa vida no ofertório. Como símbolo dessa entrega, podemos depositar o fruto de nosso trabalho representado pelo dinheiro no cesto da coleta. Depois do ofertório vamos nos preparar para a refeição, por isso nos colocamos em pé.

Na missa, no momento da consagração, podemos ficar em pé ou ajoelhados. Mas sempre com os olhos voltados para o altar, em sintonia com o gesto de entrega de Jesus que se oferece como pão e vinho.

Em seguida nos colocamos em pé porque vamos receber de Deus o alimento para a vida: o corpo e o sangue de Cristo. O momento da comunhão é o ponto alto da festa em que nos encontramos com o Cristo Ressuscitado e que se oferece como alimento para nos dar vida.

Quem vai comungar caminha para receber o Senhor. Quem não vai comungar, permanece sentado, cantando, pois numa festa tem que haver alegria. Terminada a refeição, a comunhão, vamos nos preparar para voltarmos aos nossos lares levando Deus Conosco. O Deus que nos falou e que nos alimentou vai junto conosco para permanecer em nossos lares e nos iluminar em nossos afazeres durante a semana.

E, na semana seguinte voltamos à igreja para, como Igreja nos revigorarmos e refazermos o percurso celebrando a presença de Deus entre nós. 

 

Neri de Paula Carneiro

Mestre em Educação, filósofo, teólogo, historiador.



16.5.26

Sedução

Sedução, pura energia,

é sentimento em ação.

É o desejo, é a emoção,

é o beijo na boca da paixão,

é o dínamo que impulsiona

o motor da criação.


A força dessa energia move

não a boca para o beijo,

mas o desejo feito tesão.

Não o abraço que aquece

os corpos, mas o calor

que acende o desejo.

Não o aconchego passivo,

mas o regaço ativo da

sedução.

 

Neri de Paula Carneiro 

12.5.26

Instante fecundo

No instante eterno da criação

toda a dinâmica do cosmo,

feito um dínamo de luz

naquele fiat genético,

encontrou sentido

num momento

fecundo

quando a luz

veio ao mundo

não só em amparo

à condenação humana

no abissal recanto das trevas,

mas como indescritível gesto de amor

da divina energia inovadora dando à luz a existência.


Neri de Paula Carneiro

5.5.26

As cores litúrgicas

Todos aqueles que frequentam a missa – ou as celebrações da palavra – já observaram e se perguntam: por que de tempos em tempos o padre e as toalhas dos alteres aparecem com cores diferentes.

Os mais atentos já devem ter observado que em algumas missas o padre usa uma estola branca, em outras usa verde, depois muda para roxo ou vermelho. As alfaias – as toalhas dos altares – também mudam de cor, acompanhando as cores da estola do padre.

(Estamos nos referindo apenas à estola, que é aquela “faixa” de tecido que o padre usa como se fosse um cachecol e que representa a autoridade do seu ministério. Porém, quando o padre veste uma casula, ela também é verde. Casula é a veste litúrgica que o padre veste sobre a túnica e a estola, representando a proteção de Cristo). 

Por que essas mudanças de cores?

Dentro de sua sabedoria, a Igreja usa diversos símbolos para falar sobre os diferentes momentos da vida de Jesus. Um desses símbolos é a cor. Aliás, toda a liturgia é cercada de ritos simbólicos e todos querem nos ajudar a olhar, entender e seguir os passos de Jesus de Nazaré.

Assim sendo, com cada cor litúrgica a Igreja quer nos ensinar algo a mais para melhor nos relacionarmos com Jesus Cristo e com os irmãos.

Com as cores: roxa, branca, verde e vermelho, a Igreja sintetiza os principais momentos do ano litúrgico. E, com isso, nos convida a nos aproximarmos mais dos mistérios da vida e missão da Jesus (mencionamos apenas estas por serem as mais comuns, mas também se usa o dourado, o tom róseo e o preto).

O Ano Litúrgico inicia-se com o Advento. Tempo de reflexão e penitência. Para simbolizar isso a Igreja usa a cor roxa. Por isso o roxo também é usado na Quaresma. Quando o padre atende confissão ou faz as orações junto a uma pessoa que morreu, também usa uma estola roxa.

Seguindo o 
Ano Litúrgico, depois do Advento vem o Natal e o tempo do Natal. Nesse período a cor é branca. Essa cor, além de simbolizar a paz, para a Igreja também representa a alegria, sinal da ressurreição. O Branco é usado em celebrações festivas: Natal, Páscoa e nas celebrações de quase todos os santos, com exceção dos santos mártires.

Após o Ciclo do Natal inicia a primeira parte do Tempo Comum, período do Ano Litúrgico em que acompanhamos os diferentes passos e ações de Jesus de Nazaré. No Tempo Comum, usa-se o verde. Essa é a cor da esperança. Quem caminha com Jesus está na estrada da esperança: de seguir seus passos em favor dos irmãos e de acompanhá-lo na estrada para o Reino. Com o verde o cristão alimenta a esperança em poder participar do Reino que virá ao mesmo tempo que alimenta a esperança de não se perder na caminhada, afastando-se dos irmãos.

O Tempo Comum é formado de dois momentos. O primeiro, vem logo depois das festas natalinas. Compõe-se de seis ou sete semanas que antecedem ao período da Quaresma. Neste período litúrgico, a Quaresma, também se usa o roxo.

A Quaresma, assim como o Advento, é um período de preparação

* no Advento nos preparamos para receber Jesus menino; 

* na Quaresma nos preparamos para comemorar a ressurreição de Jesus, na grande comemoração da Páscoa.

Porém, antes da Páscoa, ocorre a Semana Santa que começa com a Quinta Feira Santa, na qual a cor é branca, pois trata-se de um dia festivo, uma vez que nesse dia Jesus se entrega como nosso alimento eucarístico e nos convida a perpetuar a memória de seu gesto de doação. 

O dia seguinte é a Sexta Fira Santa. É o dia da entrega do Senhor. Os paramentos (vestes do padre) e alfaias são vermelhas, simbolizando a entrega da vida, o sangue vertido na cruz. 

Na noite de sábado, o Sábado Santo, a cor litúrgica é branca, pois é uma celebração de alegria, de vida nova, de plenitude das promessas de Deus.

Além da Semana Santa, o vermelho também é usado nas celebrações dos mártires, por exemplo, São Pedro e São Paulo. Porém as festas de Nossa Senhora a cor litúrgica é branca, pois representa a alegria e a pureza da mãe de Jesus.

Resumindo:

Branco: é a cor de pureza, usa-se nos dias de Nossa senhora, festas alegres da vida de Jesus e dos santos virtuosos;

Verde: é a cor da esperança, usa-se durante o tempo comum, no qual celebramos o cotidiano da vida de Jesus;

Roxo: é a cor da penitência e da reflexão. Usado no Advento, Quaresma, atendimento de confissão e rituais com defuntos;

Vermelho: é a cor da entrega da vida. Com do sangue de Cristo. Usada nas celebrações de santos mártires, semana santa e celebrações que lembram o martírio.

Este circulo colorido, retirado da Internet (https://agenciaparabola.com.br/como-e-dividido-o-ano-liturgico/) , ajuda a entender a organização das cores litúrgicas ao longo do ano.








Neri de Paula Carneiro

1.5.26

SÓ VOCÊ

Depois de tantas, meu primeiro amor, foi você.

Só nos dois sabemos, quando te fiz mulher teu coração estava saindo de uma noite de muitas noites de ausências.

Só que, você sabe, não nos pertencemos. Nos entregamos tantas vezes e todas foram únicas, pois não nos embalava o desejo, mas a doação, divino dom.




Depois de você, nunca mais fui eu: sou você sem mim.

Só nos dois sabemos o drama do existir sem nos dar no calor do abraço, na vida, no beijo, na cama, nos planos de todos os dias.

Só você, nós sabemos, me conheceu plenamente, pois tomou nas mãos meu coração que te pertence. Está em meu peito, mas vive contigo: eu sem você e você em mim longe de ti.




Depois que nos separamos, meu destino longe do teu, vivemos duas vidas que eram uma, pois te afastastes de mim quando te deixei, por sonhos que não eram meus.

Só hoje, ao te ver em minhas lembranças, entendi que te fostes, pois tu festes a única sendo eu o teu primeiro. Onde estas, onde estou? Pergunto-me em minha noite sem você.

Só você, não estando aqui, permanece viva em mim. Sem ti não morri, visto que ainda sonho com teu perfume me embriagando, no balanço do bolero que dançamos embriagados de amor. Mas não vivo, pois só a lembrança não é vida e, quando vida, se faz ausência. Só o sonho me alimenta. Só você está em meu sonho. Só, sem você, sei que vivi com você, mas depois de você, onde está a vida?

Neri de Paula Carneiro

30.4.26

MÃE O ANO INTEIRO

Maio:

Mamãe querida!

Mamãe, te amo!

Mamãe, sentido da minha vida!

Mamãe, sem você eu nada seria, nem sei se seria.


Mamãe, você é tudo!

Mamãe, fonte de vida.

Mamãe, ventre sagrado…

Mamãe, luz do Criador!


Mamãe, rainha do lar.


Mamãe: faturamento comercial!!!


….

Junho: Mãe, ‘cê lavou minha roupa?

Julho: Mãe, cadê meu tênis?

Agosto: Mãe, vou chegar tarde hoje.

Setembro: Mãe, tá pronto o almoço?

Outubro: Mãe, ‘cê lavou meu uniforme?

Novembro: Mãe, para de pegar no meu pé, já cresci.

Dezembro: Mãe, o que tem hoje pro o almoço?

Janeiro: Mãe, onde está aquela camiseta?

Fevereiro: Mãe, coisa chata, já disse que não quero.

Março: Mãe, tô com dor de cabeça!

Abril: que saco, mãe!

Maio:  


        Neri de Paula Carneiro

24.4.26

BENDITO

És o mais bonito, meu país.

Bendito és, não pela cruz

que te cravaram em teu

dia primeiro, mas

pelo sonho que

inspiras.


Terra, água, sol, mar… tudo.

Bendito és, não pelo dom

da exuberância natural,

presente do criador,

mas por teu povo,

herói lutador


Tua gente, meu país, gigante.

Bendito és, não por tantos

te massacrando. Gritas:

desumano! Tanto

dano mancha

rubro chão

Brasil!


És pátria, amada, Brasil e assim

bendito és. É assim teu povo

teu chão, teu sertão. Tua

cruz nos deu Jesus que

clama: esse povo

merece comer, quer

viver, não nessa cruz,

mas dos frutos do labor

hoje negado. É abençoada:

terra, água, sol, mar: povo bendito!


Neri de Paula Carneiro

O católico na celebração

Como um católico deve se comportar, durante as celebrações? O que podemos e o que não podemos fazer, durante a celebração da Palavra ou dur...