17.3.26

MEU SONHO

Se soubesses, morena, o que esconde

meu sonho contigo…

Pensando em ti, me vejo acordado.

Sonhando te vejo.

Meu sonho é desejo.


Se soubesses, morena, o que trago

escondido na mente…,

acordavas comigo enlaçando

teu corpo na noite.

Tua ausência, um açoite


Se soubesses, morena, o que sonho...

todo instante recordo

que é sonho somente. Lamento

não ter ao meu lado,

teu corpo ao meu abraçado.

 

NERI DE PAULA CARNEIRO 

TUDO SE FEZ

Tudo que foi

pensado,

mesmo só pensado,

já foi dito

no pensamento

de quem pensou

aquilo que

pensou dizer.

E o que pensou

passou a ser.


Assim, antes de ser

existente,

a Palavra existe

no pensamento

com o Espírito

do Criador e

assim tudo se fez.

 

Neri de Paula Carneiro 

DÁ PRAZER

O que faz o artista

das letras,

o poeta, o escritor?

Diz: amor!

Com primor!


No poema, a escrita, a palavra

do poeta, diz

nada além de dizer

o que outro já disse,

mas o diz de uma forma

nunca dita:

bem dita!


O dito do poeta,

do escritor, do artista,

será redito por outro:

outro escritor,

outro poeta…

palavra seleta.


E o novo dito será dito de forma

ainda não pensada, nem dita:

beleza infinita!

E o artista grita:

O novo dá prazer!

 

Neri de Paula Carneiro 

 

ESPERANÇA

O além é o horizonte,

mas o horizonte

é tão perto...


Não, não se trata de horizontes,

porém de esperança por algo

que não está aqui,

mas logo ali.


Acontece que a esperança

não está no horizonte

que está no além…

Ela está ali

presente na forma de um sonho.

 

Neri de Paula Carneiro 

15.3.26

FLORESCE

Floresce

pequenina, somente a semente.

Nasce a semente, cresce, se

semeada em solo quente,

floresce.



Floresce,

pequenina semente

quando deveras semeada,

cultivada pequenina semente.

Se mente, a semente que cresce, não

é flor, mas somente gente ceifando sonhos.

A vida fenece se plantada a malícia,

no sutil canteiro do engano.

Não é flor, nem semente,

é somente o mal que

floresce.


Floresce

a pequena semente. Se mente, não

cresce, não merece o plantio.

Somente a semente

floresce.

12.3.26

CHIQUEIRO

Tudo novo e se renova sobre covas!

Toda morte se aprova. Vida? Uma ova!

Todo lucro se converte.

Sua fé?

Um corpo inerte,

estraçalhado, torto,

morto.

Não porque a morte o matou,

mas porque o lucro

mandou.

  

Morrem, na guerra, os filhos

de quem põe o mundo nos trilhos.

Enquanto choram os pais do país,

de longe generais apertam o gatilho.


Quem comanda esse desmando,

sorri, colhendo sacos de dinheiro.

Protege seu filho no puteiro,

mata o país inteiro

e repousa no esterco,

chafurdando no chiqueiro.

Neri de Paulo Carneiro

8.3.26

MULHER, MARIA

Seu nome, Maria, é mulher!

Olha este povo:

Veja nosso sofrimento,

Tem pena de nossa dor.

Maria, mulher forte,

intercede por nós todos!




Seu nome, Maria, é irmã!

Veja nosso desespero:

Veja nossas angústias,

tem pena de nossa gente

Maria, irmã corajosa,

Permanece em nosso meio,

ajuda-nos a prosseguir




Seu nome, Maria, é mãe!

Olha para teus filhos:

Veja a angústia e tenha

pena dos teus amados

Maria, mãe libertadora,

dê aos filhos que sofrem: a

coragem da luta, a esperança

da fé e o auxilio na perseverança




Maria, mulher forte.

Maria, irmã corajosa.

Maria, mãe libertadora

intercede junto a Jesus:

Para que a força da comunhão

brote em todos nós.

Para que nosso sonho de amor

alcance a vitória.

Para que nossa ação solidária

germine em equidade e partilha.



Neri de Paula Carneiro
Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Outros escritos do autor:

Filosofia, História, Religião: https://www.webartigos.com/index.php/autores/npcarneiro;

Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro;

E.Books: https://www.calameo.com/accounts/7438195.

6.3.26

AUSÊNCIA

Naquela página de um desses grupos de redes sociais todos estavam falando a respeito dos atributos, das belezas, das qualidades das mulheres.

Mas isso só porque era o dia da mulher!

O homem? O homem era aquele que escrevia, era aquele que admirava, aquele que lia… aquele que contemplava a mulher naquilo que sobre ela estava escrito.

E, para ser mais exato, o homem não estava presente naquela página dedicada à mulher, no dia da mulher.

Resolvi também escrever sobre ela, a mulher da minha lembrança...

Exitei e me indaguei: Escrever para quê?

Entendi que não deveria falar sobre a mulher, seus encantos, e até desencantos. Não falar sobre a alegria que tive ao tê-la comigo. Alegrei-me e me pus compartilhar momentos com a mulher que esteve em minha vida.

Escrevi, escrevi, escrevi… e não era só mais uma crônica. Era um conto. Um conto, não de amor, mas de algo que já sei ser indefinível.

E ao contar meu conto percebi que enquanto eu contava, no meu conto misturavam-se momentos e aspectos de minha vida que só sei recordar. Misturavam-se o que posso e o que não posso contar. Misturava-se ao conto, retalhos de vida… então deixei fluir e contei aquilo que podia.

E aquilo que escrevia ia me fazendo lembrar… e ao me lembrar ia me sentido ausente da presença daquela sobre quem eu contava, como quem quer cantar cantos de saudades.

Aquela presença, de outros tempos, já não estava mais ao meu lado. Já não era presença, mas ausência.

Quem era a mulher, a musa do meu conto?

Não, ela não está ao lado dessas tantas que são as mulheres que são desprezadas, que são abandonadas, que ficaram depois da partida, quando alguém, ao partir, parte uma vida para construir outra história.

Não. A mulher do meu conto ficou… ficou… presente em minhas lembranças.

Não. Ela não estava ao meu lado, pois está na lembrança.

E no meu conto, me perguntei onde estaria a mulher que estava ao meu lado, quando andávamos lado a lado? Aquela que era minha, sendo eu dela… aquela que podia ser a amada, por onde andaria?

Todos dizem que quando alguém se vai fica a lembrança. Muitos dizem que quando alguém se vai, vira uma estrela. Alguns dizem que quando alguém se vai deixa algo de si.

Eu olhei para o céu, buscando estrelas; vasculhei, procurando-a em minhas lembranças… só restaram lembranças.

Eu perguntei às minhas lembranças o que, daquela mulher, ficou? O que restou, depois da partida?

Eu me dei conta de que ela não é a estrelinha do céu. Dei-me conta de que ela não deixou nada de si. Dei-me conta de que em minhas lembranças, ela não está, pois são só lembranças. A presença é a lembrança.

Eu, só então, me dei conta de que quando alguém se vai, não deixa nada.

Eu me dei conta de que no lugar daquela mulher que se foi ficou só a ausência. Uma ausência povoada por lembranças, mas ela mesma é uma ausência. 



Neri de Paula Carneiro 
Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Outros escritos do autor:

Filosofia, História, Religiãohttps://www.webartigos.com/index.php/autores/npcarneiro;  

Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro;

E.Books: https://www.calameo.com/accounts/7438195.

4.3.26

A DATA ou a propósito do Dia Internacional da Mulher

Hoje liguei a TV e lá estava a data destacada.

Acessei esse emaranhado de armadilhas, chamado de “redes sociais”, e lá estava a data destacada: deboches e láureas conflitando. Uma data, e outras tantas, querendo chamar a atenção, querendo prender a atenção, querendo dar algo que não possui! Afinal, é só uma data no calendário!

Olhei para os lados e lá estava ela, ao lado de outras datas, destacada, chamada comercial: compre, consuma… Coisa louca que corrói o significado de tudo. E a data estava lá para ser consumida, enlatada, embrulhada para presente, espalhada sobre a mesa dos prazeres. E a data estava lá, vendida e perdida, buscando sua identidade: afinal, o que é uma data? Nada mais do que um número no calendário; um dia entre outros, exatamente como tantos outros.

Mulher, mãe, pai, Páscoa, Natal, crianças, coisas.… datas…

Mulher: igualdade ou respeito à dignidade? Mãe: mulher que gera ou pessoa que dá amor e ajuda no crescimento? Pai: provedor do lar ou quem se doa consumindo-se para ver a expansão do rebento? Natal e Páscoa: troca de docinhos e chocolate e presentes, representando a ausência, ou os maiores gestos do amor divino? Crianças: bichinho mimado, espelho da incompetência que se expressa numa falsa liberdade ou promessa de futuro pleno?

Na forma de datas e coisas, é o comércio que se impõe sobre o significado. O consumo que se impõe sobre a essência ficando só nas aparências.

E a indagação pela identidade da data, se impõe: afinal de contas, o que torna um dia qualquer uma data especial?

A resposta vem na forma de um fato especial, de uma pessoa especial, de uma realização memorável. Ou seja, não é a data que importa, mas o que ela representa.

A data é só um dia. O seu significado não cabe num dia e se for resumido num dia, a própria data perde seu sentido.

Sendo assim, se a data importante é, por exemplo, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, o importante não é o dia 8, mas a mulher. E não esta ou aquela, em particular, mas todas. Não por serem mulheres, mas pelo que representam. Não pelo que representam em si mesmas, mas pela história que emana de sua luta, de sua causa, de uma situação degradante que cobra resposta na forma de respeito. Não por outro motivo qualquer, mas em virtude de um martírio.

A data é o dia do martírio, mas a situação é anterior e se prolonga.

Portanto, esta data só tem sentido de ser comemorada se estiver vinculada ao nosso esforço pela superação daquilo que a produziu e continua se repetindo em nossos dias.




Neri de Paula Carneiro

1.3.26

APENAS MULHER

Se alguém diz: apenas mulher,

não é para diminuir teu poder,

pois estás muito além de muito

que se pode dizer de tudo e de

coisas lindas que há por aí!

 

Ai que triste seria se fosses igual

ao dinheiro, ao poder, à tez facial.

Se fosses como o varão verborrágico

não serias única em palavras cândidas

com as quais nos alentas.

 

Alento divino, vem de ti, com tua luz.

Sendo o que és, simplesmente conduz

os destinos de todos, hoje e sempre,

ao nos dar mão firme guiando passos

para o mundo andar.

 

 Anda, mulher! Isso te faz diferente!

És única! Em teus braços o mundo sente

que pode ser mais, que poder crescer,

que pode ter vida, que pode viver.

Não és só mais uma, ou só

mais um ser. És tudo por ser só

e apenas uma mulher.




Neri de Paula Carneiro

Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Outros escritos do autor:

https://pensoerepasso.blogspot.com/

Filosofia, história, religião: https://www.webartigos.com/index.php/autores/npcarneiro;
Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro;
E.Books: https://www.calameo.com/accounts/7438195.

MEU SONHO

Se soubesses, morena, o que esconde meu sonho contigo… Pensando em ti, me vejo acordado. Sonhando te vejo. Meu sonho é desejo. S...