PENSO-E-REPASSO
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1.5.26
SÓ VOCÊ
Depois de tantas, meu primeiro amor, foi você.
Só nos dois sabemos, quando te fiz mulher teu coração estava saindo de uma noite de muitas noites de ausências.
Só que, você sabe, não nos pertencemos. Nos entregamos tantas vezes e todas foram únicas, pois não nos embalava o desejo, mas a doação, divino dom.
Depois de você, nunca mais fui eu: sou você sem mim.
Só nos dois sabemos o drama do existir sem nos dar no calor do abraço, na vida, no beijo, na cama, nos planos de todos os dias.
Só você, nós sabemos, me conheceu plenamente, pois tomou nas mãos meu coração que te pertence. Está em meu peito, mas vive contigo: eu sem você e você em mim longe de ti.
Depois que nos separamos, meu destino longe do teu, vivemos duas vidas que eram uma, pois te afastastes de mim quando te deixei, por sonhos que não eram meus.
Só hoje, ao te ver em minhas lembranças, entendi que te fostes, pois tu festes a única sendo eu o teu primeiro. Onde estas, onde estou? Pergunto-me em minha noite sem você.
Só você, não estando aqui, permanece viva em mim. Sem ti não morri, visto que ainda sonho com teu perfume me embriagando, no balanço do bolero que dançamos embriagados de amor. Mas não vivo, pois só a lembrança não é vida e, quando vida, se faz ausência. Só o sonho me alimenta. Só você está em meu sonho. Só, sem você, sei que vivi com você, mas depois de você, onde está a vida?
Neri de Paula Carneiro
30.4.26
MÃE O ANO INTEIRO
Maio:
Mamãe querida!
Mamãe, te amo!
Mamãe, sentido da minha vida!
Mamãe, sem você eu nada seria, nem sei se seria.
Mamãe, você é tudo!
Mamãe, fonte de vida.
Mamãe, ventre sagrado…
Mamãe, luz do Criador!
Mamãe, rainha do lar.
Mamãe: faturamento comercial!!!
….
Junho: Mãe, ‘cê lavou minha roupa?
Julho: Mãe, cadê meu tênis?
Agosto: Mãe, vou chegar tarde hoje.
Setembro: Mãe, tá pronto o almoço?
Outubro: Mãe, ‘cê lavou meu uniforme?
Novembro: Mãe, para de pegar no meu pé, já cresci.
Dezembro: Mãe, o que tem hoje pro o almoço?
Janeiro: Mãe, onde está aquela camiseta?
Fevereiro: Mãe, coisa chata, já disse que não quero.
Março: Mãe, tô com dor de cabeça!
Abril: que saco, mãe!
Maio:
Neri de Paula Carneiro
24.4.26
BENDITO
És o mais bonito, meu país.
Bendito és, não pela cruz
que te cravaram em teu
dia primeiro, mas
pelo sonho que
inspiras.
Terra, água, sol, mar… tudo.
Bendito és, não pelo dom
da exuberância natural,
presente do criador,
mas por teu povo,
herói lutador
Tua gente, meu país, gigante.
Bendito és, não por tantos
te massacrando. Gritas:
desumano! Tanto
dano mancha
rubro chão
Brasil!
És pátria, amada, Brasil e assim
bendito és. É assim teu povo
teu chão, teu sertão. Tua
cruz nos deu Jesus que
clama: esse povo
merece comer, quer
viver, não nessa cruz,
mas dos frutos do labor
hoje negado. É abençoada:
terra, água, sol, mar: povo bendito!
Neri de Paula Carneiro
18.4.26
É DOCE
É doce morrer no mar
No doce mar da paixão
Triste do amor que morre
No sal triste da solidão
Em meu poema prolixo
O amor vem do oceano.
Viaja em palavras, sufixo,
morfema, radical pequeno.
Mostra seu predicado,
pois cresce sem pecado
no presente do verbo amar
como quem ama sonhar
No doce mar da paixão,
é doce morrer nesse mar.
NEM DÁ TEMPO
Nem dá tempo de dizer:
Agora!
E o tempo já se foi.
Tempo que seria
tempo de espera
tempo esse que é.
Tempo pra depois.
Nem dá tempo de sonhar
e a noite virou dia
trabalho, luta correria,
fadiga. Está pronta
a melodia.
E o tempo, onde está?
Passou, como passa a poesia
Nem dá tempo e os ponteiro do
relógio tricotam todo tempo
estendido, lento, dentro
do espaço infinito
escorrendo no
longo vão
do breve
tic-tac!
Neri de Paula Carneiro
9.4.26
VIVER COBRA AMOR
VIVER COBRA AMOR
Neri de Paula Carneiro
Como perdoar o perdão por ser assim
generoso?
Como não gritar ao vento esse seu gesto
bondoso?
Se o viver cobra amor, que sobra para
redimir?
Oh! triste sina, do perdão! Sobreviver
em meio à maldade e ingratidão. Ele
só é necessário onde não existe amor
em gestos e no coração.
Se amor e generosidade houvesse,
se gratidão florescesse, se ambição
não existisse… não haveria perdão.
Seria ele desnecessário!
Quem ama não magoa. Não havendo
agressão, desnecessária a redenção.
Oh! bondoso perdão, em seu lugar
haveria: gestos de alegria, abraços,
sintonia de corações em harmonia
de vida. E a paz seria um dom,
crescendo no jardim da amorização.
1.4.26
FRASES SOLTAS
Frases soltas soltam meu grito
que cala tudo que pensei dizer
com meu silêncio;
Frases soltas soltam e selam
minha angústia que interpela
a fome: um suplício.
Frases soltas clamam meu grito:
o silêncio é conivente com a
dor do sofredor.
Frases soltas me incendeiam,
desafiam o olhar, a consciência:
silêncio desolador.
Frases soltas não condizem
com a esperança de mudar
essa torpe agressão.
Frases solta só
soltam
palavras, que não
cobram compromisso, pois
o silêncio do grito emudece
a canção.
Neri de Paula Carneiro
26.3.26
SEU NOME?
Ele chegou de mansinho
e foi ficando.
Instalou-se, não como se
fosse invasor, mas
como quem sabe que vai
permanecer e fazer moradia,
alojar-se de forma definitiva.
Tocou meu ser, devagar, mas com intensidade
Claro que eu não queria,
mas ele se apossou de mim,
penetrando, fundo em meu ser.
Hoje sei, foi violento e inesperado.
Gelei,
mas não gritei:
Não era isso que eu queria para minha vida.
Nunca havia sentido algo
tão intenso, vibrante, algo
tão forte, indefinível, algo
que mexesse com meus sentimentos, como ele.
Só então, com ele dentro do meu ser,
foi que o conheci plenamente.
Seu nome?
Medo!
Neri de Paula Carneiro.
Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador
Outros escritos do autor:
Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.
24.3.26
POEMA PEQUENO
Quero um poema pequeno,
que seja grande,
que saiba falar,
com palavras simples, o que
o coração pode sussurrar; que
seja igual a grandeza
que o coração sabe guardar;
que seja o infinito do coração
que sabe amar...
Neri de Paula Carneiro
23.3.26
MEDO DO MEDO
Meu medo é não ter medo e me tornar
temerário: não temer magoar quem ama
para admirar quem açoita, esse é o drama.
Ensinou o velho Raul:
“Conserve seu medo”, pois com ele aceso
se pode perder o “medo da chuva” que
volta pra terra trazendo “coisas do ar”
Meu medo é não ter medo do medo
e sem medo arriscar. Se não arriscar,
como perder o medo?
Não perde quem arisca, mas que teme
ariscar e perder e por medo de perder
deixa de ganhar. Vence não
quem teme, mas vive “sem medo de nada”
Meu medo não é ter medo, mas não ter medo
e sem medo, confiar como quem
confia na bengala.
A bengala é fiel, infiel é quem
provoca a cegueira.
Cego é quem nada sabe e, por medo
do saber, nega o saber, ensina mentiras.
Meu medo é não ter medo de não ter medo.
Temo não o incerto, mas a certeza
de quem não sondou e crê. A fé não
é admirar o incompreensível, mas
saber das possibilidades.
Não foram as certezas que impeliram
a humanidade, mas os medos.
Neri de Paula Carneiro.
Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador
Outros escritos do autor:
Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.
SÓ VOCÊ
Depois de tantas, meu primeiro amor, foi você. Só nos dois sabemos, quando te fiz mulher teu coração estava saindo de uma noite de muitas no...
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