Hoje liguei a TV e lá estava a data destacada.
Acessei esse emaranhado de armadilhas, chamado de “redes sociais”, e lá estava a data destacada: deboches e láureas conflitando. Uma data, e outras tantas, querendo chamar a atenção, querendo prender a atenção, querendo dar algo que não possui! Afinal, é só uma data no calendário!
Olhei para os lados e lá estava ela, ao lado de outras datas, destacada, chamada comercial: compre, consuma… Coisa louca que corrói o significado de tudo. E a data estava lá para ser consumida, enlatada, embrulhada para presente, espalhada sobre a mesa dos prazeres. E a data estava lá, vendida e perdida, buscando sua identidade: afinal, o que é uma data? Nada mais do que um número no calendário; um dia entre outros, exatamente como tantos outros.
Mulher, mãe, pai, Páscoa, Natal, crianças, coisas.… datas…
Mulher: igualdade ou respeito à dignidade? Mãe: mulher que gera ou pessoa que dá amor e ajuda no crescimento? Pai: provedor do lar ou quem se doa consumindo-se para ver a expansão do rebento? Natal e Páscoa: troca de docinhos e chocolate e presentes, representando a ausência, ou os maiores gestos do amor divino? Crianças: bichinho mimado, espelho da incompetência que se expressa numa falsa liberdade ou promessa de futuro pleno?
Na forma de datas e coisas, é o comércio que se impõe sobre o significado. O consumo que se impõe sobre a essência ficando só nas aparências.
E a indagação pela identidade da data, se impõe: afinal de contas, o que torna um dia qualquer uma data especial?
A resposta vem na forma de um fato especial, de uma pessoa especial, de uma realização memorável. Ou seja, não é a data que importa, mas o que ela representa.
A data é só um dia. O seu significado não cabe num dia e se for resumido num dia, a própria data perde seu sentido.
Sendo assim, se a data importante é, por exemplo, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, o importante não é o dia 8, mas a mulher. E não esta ou aquela, em particular, mas todas. Não por serem mulheres, mas pelo que representam. Não pelo que representam em si mesmas, mas pela história que emana de sua luta, de sua causa, de uma situação degradante que cobra resposta na forma de respeito. Não por outro motivo qualquer, mas em virtude de um martírio.
A data é o dia do martírio, mas a situação é anterior e se prolonga.
Portanto, esta data só tem sentido de ser comemorada se estiver vinculada ao nosso esforço pela superação daquilo que a produziu e continua se repetindo em nossos dias.
Neri de Paula Carneiro
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Parabéns
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