18.4.26

É DOCE

É doce morrer no mar

No doce mar da paixão

Triste do amor que morre

No sal triste da solidão


Em meu poema prolixo

O amor vem do oceano.

Viaja em palavras, sufixo,

morfema, radical pequeno.

Mostra seu predicado,

pois cresce sem pecado

no presente do verbo amar

como quem ama sonhar


No doce mar da paixão,

é doce morrer nesse mar.


 

Neri de Paula Carneiro 

NEM DÁ TEMPO

Nem dá tempo de dizer:

Agora!

E o tempo se foi.

Tempo que seria

tempo de espera,

tempo esse que é.

Tempo pra depois.


Nem dá tempo de sonhar

e a noite virou dia

trabalho, luta correria,

fadiga. Está pronta

a melodia.

E o tempo, onde está?

Passou, como passa a poesia


Nem dá tempo e os ponteiro do

relógio tricotam todo tempo

estendido, lento, dentro

do espaço infinito

escorrendo no

longo vão de

um breve

tic-tac!

Tic!

9.4.26

VIVER COBRA AMOR

VIVER COBRA AMOR

        Neri de Paula Carneiro


Como perdoar o perdão por ser assim

generoso?

Como não gritar ao vento esse seu gesto

bondoso?

Se o viver cobra amor, que sobra para

redimir?


Oh! triste sina, do perdão! Sobreviver

em meio à maldade e ingratidão. Ele

só é necessário onde não existe amor

em gestos e no coração.

Se amor e generosidade houvesse,

se gratidão florescesse, se ambição

não existisse… não haveria perdão.

Seria ele desnecessário!

Quem ama não magoa. Não havendo

agressão, desnecessária a redenção.


Oh! bondoso perdão, em seu lugar

haveria: gestos de alegria, abraços,

sintonia de corações em harmonia

de vida. E a paz seria um dom,

crescendo no jardim da amorização.

       

1.4.26

FRASES SOLTAS

Frases soltas soltam meu grito

que cala tudo que pensei dizer

com meu silêncio;

Frases soltas soltam e selam

minha angústia que interpela

a fome: um suplício.


Frases soltas clamam meu grito:

o silêncio é conivente com a

dor do sofredor.

Frases soltas me incendeiam,

desafiam o olhar, a consciência:

silêncio desolador.


Frases soltas não condizem

com a esperança de mudar

essa torpe agressão.

Frases solta só

soltam

palavras, que não

cobram compromisso, pois

o silêncio do grito emudece

a canção.


Neri de Paula Carneiro

26.3.26

SEU NOME?

Ele chegou de mansinho

e foi ficando.

Instalou-se, não como se

fosse invasor, mas

como quem sabe que vai

permanecer e fazer moradia,

alojar-se de forma definitiva.


Tocou meu ser, devagar, mas com intensidade

Claro que eu não queria,

mas ele se apossou de mim,

penetrando, fundo em meu ser.

Hoje sei, foi violento e inesperado.

Gelei,

mas não gritei:


Não era isso que eu queria para minha vida.

Nunca havia sentido algo

tão intenso, vibrante, algo

tão forte, indefinível, algo

que mexesse com meus sentimentos, como ele.


Só então, com ele dentro do meu ser,

foi que o conheci plenamente.

Seu nome?

Medo!

 

Neri de Paula Carneiro.

Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Outros escritos do autor:

Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.

E.books: https://www.calameo.com/subscriptions/7509406

Blog: https://pensoerepasso.blogspot.com

24.3.26

POEMA PEQUENO

Quero um poema pequeno,

que seja grande,

que saiba falar,

com palavras simples, o que

o coração pode sussurrar; que

seja igual a grandeza

que o coração sabe guardar;

que seja o infinito do coração

que sabe amar...

 

Neri de Paula Carneiro 

23.3.26

MEDO DO MEDO

Meu medo é não ter medo e me tornar

        temerário: não temer magoar quem ama

        para admirar quem açoita, esse é o drama.

        Ensinou o velho Raul:

        “Conserve seu medo”, pois com ele aceso

        se pode perder o “medo da chuva” que

        volta pra terra trazendo “coisas do ar”

Meu medo é não ter medo do medo

        e sem medo arriscar. Se não arriscar,

        como perder o medo?

        Não perde quem arisca, mas que teme

        ariscar e perder e por medo de perder

        deixa de ganhar. Vence não

        quem teme, mas vive “sem medo de nada”

Meu medo não é ter medo, mas não ter medo

        e sem medo, confiar como quem

        confia na bengala.

        A bengala é fiel, infiel é quem

        provoca a cegueira.

        Cego é quem nada sabe e, por medo

        do saber, nega o saber, ensina mentiras.

Meu medo é não ter medo de não ter medo.

        Temo não o incerto, mas a certeza

        de quem não sondou e crê. A fé não

        é admirar o incompreensível, mas

        saber das possibilidades.

        Não foram as certezas que impeliram

        a humanidade, mas os medos.

 

Neri de Paula Carneiro.

Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Outros escritos do autor:

Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.

E.books: https://www.calameo.com/subscriptions/7509406

Blog: https://pensoerepasso.blogspot.com

O católico na celebração

Como um católico deve se comportar, durante as celebrações? O que podemos e o que não podemos fazer, durante a celebração da Palavra ou dur...