Meu medo é não ter medo e me tornar
temerário: não temer magoar quem ama
para admirar quem açoita, esse é o drama.
Ensinou o velho Raul:
“Conserve seu medo”, pois com ele aceso
se pode perder o “medo da chuva” que
volta pra terra trazendo “coisas do ar”
Meu medo é não ter medo do medo
e sem medo arriscar. Se não arriscar,
como perder o medo?
Não perde quem arisca, mas que teme
ariscar e perder e por medo de perder
deixa de ganhar. Vence não
quem teme, mas vive “sem medo de nada”
Meu medo não é ter medo, mas não ter medo
e sem medo, confiar como quem
confia na bengala.
A bengala é fiel, infiel é quem
provoca a cegueira.
Cego é quem nada sabe e, por medo
do saber, nega o saber, ensina mentiras.
Meu medo é não ter medo de não ter medo.
Temo não o incerto, mas a certeza
de quem não sondou e crê. A fé não
é admirar o incompreensível, mas
saber das possibilidades.
Não foram as certezas que impeliram
a humanidade, mas os medos.
Neri de Paula Carneiro.
Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador
Outros escritos do autor:
Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.
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