Como devemos nos portar durante a celebração eucarística ou da palavra, em nossas comunidades? Para que servem os folhetos da celebração? O que eles contêm?
Os folhetos são um roteiro para as celebrações. Não é a celebração, mas os passos a serem dados pelo presidente, leitores, cantores e toda a assembleia. No folheto estão as orientações a serem seguidas por todos que estão celebrando.
Isso significa temos que ler tudo o que está no folheto, durante a celebração?
Não necessariamente.
Algumas partes o presidente pode usar as próprias palavras, para facilitar a compreensão e a comunicação. Porém, se não tem muita segurança, é melhor seguir o que está escrito no roteiro.
O mesmo vale para os cantos: podem ser usados os que estão no folheto ou outros, escolhidos pela equipe litúrgica. Porém, quando for fazer isso, a equipe litúrgica tem que escolher cantos adequados e que coincidam com o que se está celebrando. Não é qualquer canto que pode ser usado na liturgia.
Entretanto, no folheto existem partes que não podem ser puladas ou ditas de qualquer forma. E isso vale tanto para quem preside a celebração como para quem faz as leituras, os cantos, os salmos… E, o mais importante: Tem que ler com calma e pausadamente para que as pessoas entendam o que está sendo lido.
Então, o que a equipe litúrgica tem que fazer para não fugir do roteiro, previsto no folheto?
A equipe tem que se preparar. Tem que estudar. Tem que lembrar: sua ação destina-se a ajudar a assembleia a orar e não fazer um pequeno show para a comunidade.
A assembleia, que vem para celebrar, precisa ser bem direcionada pela equipe que conduz as atividades litúrgicas. E, para conduzir bem, a equipe tem que estar preparada. E, para se preparar bem, precisa estudar, ensaiar, ler bem o folheto antes da celebração. Ver o que está previsto nas rubricas (aquelas letrinhas vermelhas que orientam como se deve agir). Organizar o que tem que ser preparado antecipadamente. Cada um deve ler e reler o folheto e as orientações para entender bem qual é a sua função, para fazer bem feito. Deus merece o melhor de nós, e a comunidade também. E, detalhe importante, todos devem se ajudar a fim de preparar o que tem que ser preparado.
E, para tudo isso, tem que chegar antes do início da celebração. Só assim terá tempo de preparar o ambiente. Chegar atrasado, não se preparar, ser negligente… é uma forma de dizer que a celebração e aquilo que se celebra não é importante. A negligência é uma forma de negar ou desvalorizar o sacrifício de Jesus e desmerecer o que ele fez em nosso favor.
Estando tudo preparado, quando as pessoas chegarem vão se sentir bem e envolvidas no ambiente celebrativo. Por isso, não se deve ficar “correndo” de um lado para outro, nem falando alto, nem conversando com o colega do lado, nem brincando com o celular, nem fazendo fotos e vídeos… A preparação do ambiente já é parte da celebração. Cada membro da equipe litúrgica, ao fazer qualquer coisa em preparação para a celebração, deve fazê-lo em clima de oração. Deve se lembrar de que sua ação tem a finalidade de celebrar a presença de Jesus Ressuscitado entre nós.
E se for a celebração da missa?
O clima de preparação é o mesmo. Na Missa vamos atualizar o sacrifício de Jesus, depois de ouvir sua palavra orientadora e salvadora. Por esse motivo, também na Missa a equipe litúrgica tem que estar bem preparada.
E, tanto na missa como na celebração da Palavra, a função da equipe de liturgia é ajudar a criar um clima celebrativo, de encontro entre irmãos, de agradecimento a Deus. Ajudar a criar um ambiente de alegria, festivo, mas não de algazarra.
Exatamente o que devemos fazer durante a celebração?
Primeiro lembrarmo-nos de que estamos num encontro de oração. Não se trata de uma reunião de festa, comilança, cantoria ou de falar mal da vida dos outros. É um encontro festivo, com Deus e com os irmãos, para nos alimentarmos espiritualmente a fim de voltarmos para casa com maior disposição de seguir Jesus e realizar suas obras: boa relação com as pessoas, caridade, fraternidade, respeito…
Como isso aparece nos folhetos que usamos em nossas celebrações?
Acolhida: É o início da celebração. E isso se faz com um canto de acolhida: a Igreja está acolhendo os irmãos. Terminado o canto todos nos assinalamos com o sinal de nossa fé, traçando sobre o corpo o sinal da cruz salvadora. Reafirmando nossa fé, pois o que nos reúne é a certeza da ressurreição mostrada por Jesus.
Ato Penitencial: Depois que nos cumprimentamos, com o canto de entrada, vamos nos colocar diante de Deus e dos irmãos admitindo que nem tudo que fizemos foi bom. O Ato Penitencial é o momento de pedir perdão ao Senhor Jesus Cristo que nos perdoe por não termos nos esforçado o suficiente para que seu Reino de amor se instale definitivamente.
Glória: Em agradecimento ao Perdão, cantamos a glória do Senhor. Um detalhe importante: o pedido de perdão é dirigido a Jesus, o Glória é oferecido à Trindade Santa.
Oração da Coleta: Agradecidos pelo perdão e tendo glorificado a Deus, podemos nos dirigir diretamente a ele com nossas intenções. É o momento da oração da Coleta. O presidente da celebração acolhe todos os pedidos da comunidade e, em nome da Igreja faz uma oração pedindo que Deus acolha esses pedidos.
Durante todo esse rito inicial permanecemos em pé, diante de Deus, como sinal de respeito àquilo que ele nos oferece. Proferida a oração da coleta, sentamo-nos para o rito da Palavra
Rito da palavra: Na liturgia da palavra vamos ouvir a proposta de Deus. Deus nos fala na primeira leitura. Nós respondemos com o Salmo Responsorial e nos preparamos para ouvir a segunda leitura. Durante todo esse tempo permanecemos na postura de quem está disposto a ouvir: sentados e atentos às leituras que devem ter sido bem preparadas, ensaiadas, pois Deus está falando por nosso boca. Por isso, ao final da leitura dizemos: “Palavra do Senhor”.
Proclamação do Evangelho: Durante o canto de aclamação ao Evangelho, ficamos em pé, em sinal de prontidão, como aqueles que se levantam da morte para a vida. O presidente da celebração (ou o diácono, quando for o caso) nos convida a reconhecer a presença do Senhor com as palavras: “O Senhor esteja convosco!”. A assembleia responde: “Ele está no meio de nós!”. Fazemos isso para afirmar que reconhecemos o Senhor em suas palavras. Em seguida o presidente apresenta o texto evangélico: “Proclamação do Evangelho…”. Ao terminar a proclamação afirma: “Palavra da Salvação!”.
Homilia: Terminada a proclamação do Evangelho todos se assentam para ouvir a Homilia (conversa em família), os ensinamentos das leituras. Uma explicação das leituras proferidas em busca de ensinamentos a serem aplicados no dia a dia dos irmãos. A homilia é uma catequese, pois atualiza o sentido das leituras para a comunidade de irmãos (homilia: conversa em família) a fim de que todos entendam como devem vivenciar o ensinamento no dia a dia.
Profissão de fé: Em resposta à proposta de Deus, nas leituras e na homilia, a comunidade se levanta e, em pé, afirma sua fé recitando “Creio”. Essa oração é uma síntese daquilo que o Cristão acredita: Deus é Pai criador; Jesus atuou na história, pois é o Filho redentor; o Espírito Santo santifica e conduz a Igreja; os santos são modelos para chegar à vida plena e eterna.
Preces ou Oração dos fiéis: Aquele que acredita, sabe que está próximo de Deus, por isso apresenta-lhe as preces da comunidade e da Igreja. A celebração (da palavra ou da Missa) é uma ação da comunidade. Sendo uma ação da Igreja, ela orienta que se façam preces: pela Igreja, pelo papa e ministros ordenados a fim de que sejam fiéis na condução dos irmãos; pelas autoridades a fim de que promovam a justiça e a equidade; pela comunidade a fim de que se mantenha unida e crente. Em atitude confiante a comunidade se mantém em pé para fazer suas preces: uma conversa franca da comunidade com o Senhor.
Oferendas: A fé nos assegura uma certeza: Deus nos ouve sempre (Lc 11,9). A certeza disso são os dons que recebemos. Como forma de agradecimento pelos dons que de Deus recebemos retribuímos oferecendo-lhe nossa vida. É o ofertório. Agradecendo o que recebemos devolvemos uma pequena parte, como um gesto concreto de pertencimento à mesma família. Levamos em procissão os sinais de nossa gratidão que pode se expressar numa oferta em dinheiro. Enquanto a comunidade caminha para fazer sua oferta os demais, sentados, entoam um canto que expressa a gratidão pelos dons recebidos e que são devolvidos em oferenda.
Preparação para a Comunhão: terminado o rito das ofertas, a comunidade se levanta, em postura de prontidão. É o ponto alto da celebração.
Na missa, após o rito das ofertas inicia-se o rito sacramental: oração eucarística, consagração e comunhão. Permanecemos em pé. Com isso querendo dizer que estamos prontos para responder ao chamado. No momento da consagração pode-se permanecer em pé ou ajoelhado, mas sempre com os olhos fixos no altar, pois ali Jesus está, mais uma vez, oferecendo-se em favor de nossas vidas.
Na celebração da Palavra, o presidente convida a comunidade para entrar em sintonia com o Pai e com os irmãos. Reza-se o Pai Nosso e se faz um rito da paz. Este rito de paz quer nos convidar à reconciliação com os irmãos da comunidade e pedir a ajuda de Deus para construirmos a paz em todos os níveis da vida humana.
A comunhão: Terminado o rito da paz o ministro da comunhão estende o corporal sobre o altar e apresenta a hóstia consagrada. Todos devem olhar para o Cristo ali presente na forma eucarística.
Forma-se a fila para receber o Cristo Eucarístico. Quem vai comungar, em pé, estende a mão para receber a Eucaristia. Enquanto isso toda a assembleia entoa o canto de comunhão.
A Igreja permite que se receba a comunhão diretamente na boca. Mas esta é uma atitude um pouco fora de propósito, uma vez que Jesus se oferece como alimento, quem somos nós para nos recusarmos a tocar nesse alimento sagrado? E se a alegação é que as mãos estão impuras, então todo o restante do corpo também está, pois as mãos não se tornam impuras sozinhas.
A Igreja também admite que a pessoa que vai receber a comunhão fique ajoelhada. Porém, numa festa, quem fica ajoelhado para alegrar-se e alimentar-se? A comunhão é a Festa da Eucaristia; é a Festa da Entrega Salvadora de Jesus. É o próprio Jesus quem convida a nos erguermos para caminhar com ele. A postura litúrgica do seguimento de Jesus é em pé.
Depois que se comunga, pode-se fazer uma breve oração de agradecimento ou ajudar a entoar o canto de comunhão. Sentados em atitude de espera, para que se possa seguir juntos para a oração e ritos finais.
Ritos Finais: Após a comunhão o presidente convida a assembleia para a “oração após a comunhão”. Trata-se de um agradecimento pelo alimento e pedido do auxilio divino para viver o que foi celebrado.
Seguem-se os avisos da comunidade e a benção final. O ato da celebração termina com a benção e todos entoando o canto final. Cantando o canto final deixa-se a Igreja levando a benção de Deus para os lares.
Neri de Paula Carneiro
2.7.26
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POSTURA CELEBRATIVA
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