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12.5.26

Instante fecundo

No instante eterno da criação

toda a dinâmica do cosmo,

feito um dínamo de luz

naquele fiat genético,

encontrou sentido

num momento

fecundo

quando a luz

veio ao mundo

não só em amparo

à condenação humana

ao abissal recanto das trevas,

mas como indescritível gesto de amor

da divina energia inovadora dando à luz a existência.


Neri de Paula Carneiro

5.5.26

As cores litúrgicas

Todos aqueles que frequentam a missa – ou as celebrações da palavra – já observaram e se perguntam: por que de tempos em tempos o padre e as toalhas dos alteres aparecem com cores diferentes.

Os mais atentos já devem ter observado que em algumas missas o padre usa uma estola branca, em outras usa verde, depois muda para roxo ou vermelho. As alfaias – as toalhas dos altares – também mudam de cor, acompanhando as cores da estola do padre.

(Estamos nos referindo apenas à estola, que é aquela “faixa” de tecido que o padre usa como se fosse um cachecol e que representa a autoridade do seu ministério. Porém, quando o padre veste uma casula, esta também obedece ao mesmo critério das cores)

Por que essas mudanças de cores?

Dentro de sua sabedoria, a Igreja usa de diversos símbolos para falar sobre os diferentes momentos da vida de Jesus. Um desses símbolos é a cor.

Com cada cor litúrgica Igreja quer nos ensinar algo a mais para melhor nos relacionarmos com Jesus Cristo e com os irmãos.

Com as cores: roxa, branca, verde e vermelho, a Igreja sintetiza os principais momentos do ano litúrgico. E, com isso, nos convida a nos aproximarmos mais dos mistérios da vida e missão da Jesus (mencionamos apenas estas por serem as mais comuns, mas também se usa o dourado, o tom róseo e o preto).

O Ano Litúrgico inicia-se com o Advento. Tempo de reflexão e penitência. Para simbolizar isso a Igreja usa a cor roxa. Por isso o roxo também é usado na Quaresma. Quando o padre atende confissão ou faz as orações junto a uma pessoa que morreu, também usa uma estola roxa.

Seguindo o 
Ano Litúrgico, depois do Advento vem o Natal e o tempo do Natal. Nesse período a cor é branca. Essa cor, além de simbolizar a paz, para a Igreja também representa a alegria, sinal da ressurreição. O Branco é usado em celebrações festivas: Natal, Páscoa, e nos celebrações de quase todos os santos, com exceção dos santos mártires.

Após o Ciclo do Natal inicia a primeira parte do Tempo Comum, período do Ano Litúrgico em que acompanhamos os diferentes passos e ações de Jesus de Nazaré. No Tempo Comum, usa-se o verde. Essa é a cor da esperança. Quem caminha com Jesus está na estrada da esperança: de seguir seus passos em favor dos irmãos e de acompanhá-lo na estrada para o Reino.

O Tempo Comum é formado de dois momentos. O primeiro, vem logo depois das festas natalinas. Compõe-se de seis ou sete semanas que antecedem ao período da Quaresma. Neste período litúrgico, a Quaresma, também se usa o roxo.

A Quaresma, assim como o Advento, é um período de preparação

* no Advento nos preparamos para receber Jesus menino; 

* na Quaresma nos preparamos para comemorar a ressurreição de Jesus, na grande comemoração da Páscoa.

Porém, antes da Páscoa, ocorre a Semana Santa que começa com a Quinta Feira Santa, na qual a cor é branca, pois trata-se de um dia festivo, uma vez que nesse dia Jesus se entrega como nosso alimento eucarístico. Dia seguinte, Sexta Fira Santa, é o dia da entrega do Senhor. Os paramento e alfaias são vermelhas, simbolizando a entrega da vida, o sangue vertido na cruz. Na noite de sábado, o Sábado Santo, a cor litúrgica é branca, pois é uma celebração de alegria, de vida nova, de plenitude das promessas de Deus.

Além da Semana Santa, o vermelho também é usado nas celebrações dos mártires, por exemplo, São Pedro e São Paulo. Porém as festas de Nossa Senhora a cor litúrgica é branca, pois representa a alegria e a pureza da mãe de Jesus.

Resumindo:

Branco: é a cor de pureza, usa-se nos dias de Nossa senhora, festas alegres da vida de Jesus e dos santos virtuosos;

Verde: é a cor da esperança, usa-se durante o tempo comum, no qual celebramos o cotidiano da vida de Jesus;

Roxo: é a cor da penitência e da reflexão. Usado no Advento, Quaresma, atendimento de confissão e rituais com defuntos;

Vermelho: é a cor da entrega da vida. Com do sangue de Cristo. Usada nas celebrações de santos mártires, semana santa e celebrações que lembram o martírio.

Este circulo colorido, retirado da Internet (https://agenciaparabola.com.br/como-e-dividido-o-ano-liturgico/) , ajuda a entender a organização das cores litúrgicas ao longo do ano.








Neri de Paula Carneiro

1.5.26

SÓ VOCÊ

Depois de tantas, meu primeiro amor, foi você.

Só nos dois sabemos, quando te fiz mulher teu coração estava saindo de uma noite de muitas noites de ausências.

Só que, você sabe, não nos pertencemos. Nos entregamos tantas vezes e todas foram únicas, pois não nos embalava o desejo, mas a doação, divino dom.




Depois de você, nunca mais fui eu: sou você sem mim.

Só nos dois sabemos o drama do existir sem nos dar no calor do abraço, na vida, no beijo, na cama, nos planos de todos os dias.

Só você, nós sabemos, me conheceu plenamente, pois tomou nas mãos meu coração que te pertence. Está em meu peito, mas vive contigo: eu sem você e você em mim longe de ti.




Depois que nos separamos, meu destino longe do teu, vivemos duas vidas que eram uma, pois te afastastes de mim quando te deixei, por sonhos que não eram meus.

Só hoje, ao te ver em minhas lembranças, entendi que te fostes, pois tu festes a única sendo eu o teu primeiro. Onde estas, onde estou? Pergunto-me em minha noite sem você.

Só você, não estando aqui, permanece viva em mim. Sem ti não morri, visto que ainda sonho com teu perfume me embriagando, no balanço do bolero que dançamos embriagados de amor. Mas não vivo, pois só a lembrança não é vida e, quando vida, se faz ausência. Só o sonho me alimenta. Só você está em meu sonho. Só, sem você, sei que vivi com você, mas depois de você, onde está a vida?

Neri de Paula Carneiro

30.4.26

MÃE O ANO INTEIRO

Maio:

Mamãe querida!

Mamãe, te amo!

Mamãe, sentido da minha vida!

Mamãe, sem você eu nada seria, nem sei se seria.


Mamãe, você é tudo!

Mamãe, fonte de vida.

Mamãe, ventre sagrado…

Mamãe, luz do Criador!


Mamãe, rainha do lar.


Mamãe: faturamento comercial!!!


….

Junho: Mãe, ‘cê lavou minha roupa?

Julho: Mãe, cadê meu tênis?

Agosto: Mãe, vou chegar tarde hoje.

Setembro: Mãe, tá pronto o almoço?

Outubro: Mãe, ‘cê lavou meu uniforme?

Novembro: Mãe, para de pegar no meu pé, já cresci.

Dezembro: Mãe, o que tem hoje pro o almoço?

Janeiro: Mãe, onde está aquela camiseta?

Fevereiro: Mãe, coisa chata, já disse que não quero.

Março: Mãe, tô com dor de cabeça!

Abril: que saco, mãe!

Maio:  


        Neri de Paula Carneiro

24.4.26

BENDITO

És o mais bonito, meu país.

Bendito és, não pela cruz

que te cravaram em teu

dia primeiro, mas

pelo sonho que

inspiras.


Terra, água, sol, mar… tudo.

Bendito és, não pelo dom

da exuberância natural,

presente do criador,

mas por teu povo,

herói lutador


Tua gente, meu país, gigante.

Bendito és, não por tantos

te massacrando. Gritas:

desumano! Tanto

dano mancha

rubro chão

Brasil!


És pátria, amada, Brasil e assim

bendito és. É assim teu povo

teu chão, teu sertão. Tua

cruz nos deu Jesus que

clama: esse povo

merece comer, quer

viver, não nessa cruz,

mas dos frutos do labor

hoje negado. É abençoada:

terra, água, sol, mar: povo bendito!


Neri de Paula Carneiro

18.4.26

É DOCE

É doce morrer no mar

No doce mar da paixão

Triste do amor que morre

No sal triste da solidão


Em meu poema prolixo

O amor vem do oceano.

Viaja em palavras, sufixo,

morfema, radical pequeno.

Mostra seu predicado,

pois cresce sem pecado

no presente do verbo amar

como quem ama sonhar


No doce mar da paixão,

é doce morrer nesse mar.


 

Neri de Paula Carneiro 

NEM DÁ TEMPO

Nem dá tempo de dizer:

Agora!

E o tempo se foi.

Tempo que seria

tempo de espera,

tempo esse que é.

Tempo pra depois.


Nem dá tempo de sonhar

e a noite virou dia

trabalho, luta correria,

fadiga. Está pronta

a melodia.

E o tempo, onde está?

Passou, como passa a poesia


Nem dá tempo e os ponteiro do

relógio tricotam todo tempo

estendido, lento, dentro

do espaço infinito

escorrendo no

longo vão de

um breve

tic-tac!

Tic!

9.4.26

VIVER COBRA AMOR

VIVER COBRA AMOR

        Neri de Paula Carneiro


Como perdoar o perdão por ser assim

generoso?

Como não gritar ao vento esse seu gesto

bondoso?

Se o viver cobra amor, que sobra para

redimir?


Oh! triste sina, do perdão! Sobreviver

em meio à maldade e ingratidão. Ele

só é necessário onde não existe amor

em gestos e no coração.

Se amor e generosidade houvesse,

se gratidão florescesse, se ambição

não existisse… não haveria perdão.

Seria ele desnecessário!

Quem ama não magoa. Não havendo

agressão, desnecessária a redenção.


Oh! bondoso perdão, em seu lugar

haveria: gestos de alegria, abraços,

sintonia de corações em harmonia

de vida. E a paz seria um dom,

crescendo no jardim da amorização.

       

1.4.26

FRASES SOLTAS

Frases soltas soltam meu grito

que cala tudo que pensei dizer

com meu silêncio;

Frases soltas soltam e selam

minha angústia que interpela

a fome: um suplício.


Frases soltas clamam meu grito:

o silêncio é conivente com a

dor do sofredor.

Frases soltas me incendeiam,

desafiam o olhar, a consciência:

silêncio desolador.


Frases soltas não condizem

com a esperança de mudar

essa torpe agressão.

Frases solta só

soltam

palavras, que não

cobram compromisso, pois

o silêncio do grito emudece

a canção.


Neri de Paula Carneiro

26.3.26

SEU NOME?

Ele chegou de mansinho

e foi ficando.

Instalou-se, não como se

fosse invasor, mas

como quem sabe que vai

permanecer e fazer moradia,

alojar-se de forma definitiva.


Tocou meu ser, devagar, mas com intensidade

Claro que eu não queria,

mas ele se apossou de mim,

penetrando, fundo em meu ser.

Hoje sei, foi violento e inesperado.

Gelei,

mas não gritei:


Não era isso que eu queria para minha vida.

Nunca havia sentido algo

tão intenso, vibrante, algo

tão forte, indefinível, algo

que mexesse com meus sentimentos, como ele.


Só então, com ele dentro do meu ser,

foi que o conheci plenamente.

Seu nome?

Medo!

 

Neri de Paula Carneiro.

Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Outros escritos do autor:

Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.

E.books: https://www.calameo.com/subscriptions/7509406

Blog: https://pensoerepasso.blogspot.com

24.3.26

POEMA PEQUENO

Quero um poema pequeno,

que seja grande,

que saiba falar,

com palavras simples, o que

o coração pode sussurrar; que

seja igual a grandeza

que o coração sabe guardar;

que seja o infinito do coração

que sabe amar...

 

Neri de Paula Carneiro 

23.3.26

MEDO DO MEDO

Meu medo é não ter medo e me tornar

        temerário: não temer magoar quem ama

        para admirar quem açoita, esse é o drama.

        Ensinou o velho Raul:

        “Conserve seu medo”, pois com ele aceso

        se pode perder o “medo da chuva” que

        volta pra terra trazendo “coisas do ar”

Meu medo é não ter medo do medo

        e sem medo arriscar. Se não arriscar,

        como perder o medo?

        Não perde quem arisca, mas que teme

        ariscar e perder e por medo de perder

        deixa de ganhar. Vence não

        quem teme, mas vive “sem medo de nada”

Meu medo não é ter medo, mas não ter medo

        e sem medo, confiar como quem

        confia na bengala.

        A bengala é fiel, infiel é quem

        provoca a cegueira.

        Cego é quem nada sabe e, por medo

        do saber, nega o saber, ensina mentiras.

Meu medo é não ter medo de não ter medo.

        Temo não o incerto, mas a certeza

        de quem não sondou e crê. A fé não

        é admirar o incompreensível, mas

        saber das possibilidades.

        Não foram as certezas que impeliram

        a humanidade, mas os medos.

 

Neri de Paula Carneiro.

Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Outros escritos do autor:

Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.

E.books: https://www.calameo.com/subscriptions/7509406

Blog: https://pensoerepasso.blogspot.com

18.3.26

COMO POSSO?

Como posso cantar as flores

se ao meu lado choram sementes?

Como posso cantar alegria do encontro?

se ao meu lado choram as despedidas?

Como posso cantar a natureza

se ao meu lado choram as rosas?

Como posso cantar o luar

se ao meu lado chora o alvorecer?

Como posso cantar um novo dia

se ao meu lado choram raios de sol?

Como posso cantar jardins floridos

se ao meu lado choram os beija-flor?

Como posso cantar o amor

se ao meu lado choram as noites?

Como posso cantar nossa melodia

se ao meu lado grita tua ausência?

Como posso cantar nosso encontro

se ao teu lado sou só saudade?

 

Neri de Paula Carneiro 

REFLORIR

Verde!!!

Ah! O aconchego da brisa.

Natureza vibrante de vida,

transmitindo vida!

Vigor, vitalidade: esperança!

Certeza: natureza

viva, vivificante!!!

Esverdeado!...

Força decadente...

Natureza morrente…, descrente….

Só, se sente impotente...

Quente: sol escaldante…

deprimente.


Desfolhada. Desolada findante.

Aquilo que era antes vigor e vitalidade

Agora são galhos secos qual dedos

cadavéricos, dedos enrijecidos.

Galhos já falecidos.

Quando vão verdejar?

Amarelecida...

Esperança finda…, aquela esperança,

ainda teima em resistir...

Resiste em sucumbir…

Refazer o verde e florir. Reflorir!

 

Neri de Paula Carneiro

 

17.3.26

MEU SONHO

Se soubesses, morena, o que esconde

meu sonho contigo…

Pensando em ti, me vejo acordado.

Sonhando te vejo.

Meu sonho é desejo.


Se soubesses, morena, o que trago

escondido na mente…,

acordavas comigo enlaçando

teu corpo na noite.

Tua ausência, um açoite


Se soubesses, morena, o que sonho...

Todo instante recordo

que é sonho somente. Lamento

não ter ao meu lado,

teu corpo ao meu abraçado.

 

NERI DE PAULA CARNEIRO 

TUDO SE FEZ

Tudo que foi

pensado,

mesmo só pensado,

já foi dito

no pensamento

de quem pensou

aquilo que

pensou dizer.

E o que pensou

passou a ser.


Assim, antes de ser

existente,

a Palavra existe

no pensamento

com o Espírito

do Criador e

assim tudo se fez.

 

Neri de Paula Carneiro 

DÁ PRAZER

O que faz o artista

das letras,

o poeta, o escritor?

Diz: amor!

Com primor!


No poema, a escrita, a palavra

do poeta, diz

nada além de dizer

o que outro já disse,

mas o diz de uma forma

nunca dita:

bem dita!


O dito do poeta,

do escritor, do artista,

será redito por outro:

outro escritor,

outro poeta…

palavra seleta.


E o novo dito será dito de forma

ainda não pensada, nem dita:

beleza infinita!

E o artista grita:

O novo dá prazer!

 

Neri de Paula Carneiro 

 

ESPERANÇA

O além é o horizonte,

mas o horizonte

é tão perto...


Não, não se trata de horizontes,

porém de esperança por algo

que não está aqui,

mas logo ali.


Acontece que a esperança

não está no horizonte

que está no além…

Ela está ali

presente na forma de um sonho.

 

Neri de Paula Carneiro 

15.3.26

FLORESCE

Floresce

pequenina, somente a semente.

Nasce a semente, cresce, se

semeada em solo quente,

floresce.



Floresce,

pequenina semente

quando deveras semeada,

cultivada pequenina semente.

Se mente, a semente que cresce, não

é flor, mas somente gente ceifando sonhos.

A vida fenece se plantada a malícia,

no sutil canteiro do engano.

Não é flor, nem semente,

é somente o mal que

floresce.


Floresce

a pequena semente. Se mente, não

cresce, não merece o plantio.

Somente a semente

floresce.

12.3.26

CHIQUEIRO

Tudo novo e se renova sobre covas!

Toda morte se aprova. Vida? Uma ova!

Todo lucro se converte.

Sua fé?

Um corpo inerte,

estraçalhado, torto,

morto.

Não porque a morte o matou,

mas porque o lucro

mandou.

  

Morrem, na guerra, os filhos

de quem põe o mundo nos trilhos.

Enquanto choram os pais do país,

de longe generais apertam o gatilho.


Quem comanda esse desmando,

sorri, colhendo sacos de dinheiro.

Protege seu filho no puteiro,

mata o país inteiro

e repousa no esterco,

chafurdando no chiqueiro.

Neri de Paulo Carneiro

Instante fecundo

No instante eterno da criação toda a dinâmica do cosmo, feito um dínamo de luz naquele fiat genético, encontrou sentido num momento fe...