20.8.26

Devoção à Rainha

“Eis ai tua mãe!” Isso foi o que falou Jesus a João, na cruz, num triângulo de doação: Jesus entregou a vida em nossa defesa; Maria entregou a vida gerando o autor da vida e fez-se seguidora do Filho; João entregou-se ao serviço do mestre, perenizou seu ensinamento. Porém, até aqui, temos o Filho com sua mãe e seu discípulo amado. Onde está a Rainha?

É inegável a devoção à mãe do Senhor. Desde a saudação de Isabel “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1,43). Até o alerta de Simeão “Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma.” (Lc2,35). Desde os garçons lamentando a falta de vinho e Maria, mulher atenta às necessidades das pessoas, intercedendo em favor do noivo: “Eles não têm mais vinho!” (Jo 2,3). Até o altar supremo da cruz quando, fiel companheira é consolada pelo Filho suspenso: “Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: “Mulher, eis aí o seu filho.” (Jo 19,26). Seguindo os passos de Jesus de Nazaré, está a mãe. Onde está a Rainha?

Podemos supor que a mãe estivesse encorajando os discípulos assustados, quando Jesus vem trazer a paz: “Ficou no meio deles e disse: ‘A paz esteja com vocês’.” (Jo 20,19). Podemos supor que a mãe era uma das mulheres que o serviam: “Grande número de mulheres estavam aí, olhando de longe. Elas haviam acompanhado Jesus desde a Galileia, prestando-lhe serviços” (Mt 27,55). Mas onde está a Rainha?

Na comunidade de Jerusalém, encontramos a mãe: “Todos eles tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus”. (At 1,14). A mãe e os discípulos ficaram cheios do Espírito Santo, pois: “estavam reunidos no mesmo lugar”. O livro de Atos continua: “Apareceram então umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo” (At 2,1-4a). Porém, onde está a Rainha!

O que tudo isso nos ensina: os evangelistas e os Atos dos Apóstolos nos apresentam a mãe de Jesus. Ela está junto, anima a comunidade, fala sobre Jesus… ela é a Mãe do Bom Conselho!

E qual é o conselho de Maria? João quem responde: ela aconselha a fazer o que ele ensina, ou seja “A mãe de Jesus disse aos que estavam servindo: ‘Façam o que ele mandar’.” (Jo 2,5).

E o que Jesus manda? A resposta nos vem de Mateus, afirmando as palavras do mestre: fazer discípulos, batizar “ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês” (Mt 28,20).

E o que Jesus ordenou e ensinou?

Vamos perguntar a Marcos que nos informa: “Jesus voltou para a Galileia, pregando a Boa Notícia de Deus: ‘O tempo já se cumpriu e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia’.” (Mc 1,14-15). Portanto, Jesus anuncia o Reino… que não é deste mundo. Começa aqui com base na verdade. “O meu reino não é deste mundo”. E explica: “Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Aquele que está com a verdade ouve a minha voz’.” (Jo 19,36-37).

Aqui está o ponto de partida para reconhecermos Maria, a Mãe, como Rainha. É uma exigência lógica: se o filho é o rei da Verdade, Amor e Paz, a mãe é a Rainha da Paz.

O autor do Apocalipse apresenta uma mulher vestida de sol com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça: “Apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.” (Ap 12,1).

O Apocalipse é um livro que deve ser lido com os olhos da esperança, portanto olhemos com atenção esperançosa os símbolos, desta visão.

A mulher pode ser identificada com a Igreja e com Maria. E Maria está vestida de sol, porque não há outro que pode iluminar a não ser Jesus. Ele é o nosso sol, a luz que nos guia. Só ele é o sentido da existência, da Igreja, da fé e de sua própria mãe. Sem Jesus, Maria seria apenas uma entre tantas mulheres virtuosas do seu tempo. A grandeza de Maria não está nela, está no fato de ser mãe do Jesus nosso sol, luz do mundo.

Por que ela está pisando sobre a lua? Porque a lua representa o mundo. Não tem luz própria. Depende da Luz de Deus, de Jesus, luz do mundo (Jo 1,1-14). Ele é o sol que veste a mulher.

O que ela tem na cabeça? Uma coroa. A Mulher é a rainha. O que tem na coroa da Rainha? Doze estrelas. O que são as estrelas? Os apóstolos. Por ser mãe de Jesus, o rei e o sol, Maria é rainha das estrelas, os apóstolos, a Igreja.

Então a quê nos remete a cena do Apocalipse 12,1? A Jesus que é o Rei, o sol que envolve a tudo. E à Mãe, que é a Rainha com uma coroa de doze estrelas, os doze apóstolos.

Portanto, aqui está a base teológica para a devoção à Maria, Nossa Senhora Rainha.

E, como a coroa sugere, Rainha dos Apóstolos. A mesma Mãe que esteve no cenáculo e recebeu o Espírito, agora aparece envolta na luz do Filho. O mesmo Espírito que a envolveu no momento da concepção: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra” (Lc 1,35), agora a apresenta envolvida na Luz do seu Filho, guiando os apóstolos, pois eles são as estrelas em sua coroa de glória.

Plena de Luz. Plena do Espírito. Plena de Jesus, Maria é plena atenção aos apóstolos. Permanece com eles, superando o medo das perseguições. A fé popular e o ensinamento dos Santos Padres expressam a mesma certeza. Certeza que alimenta a devoção mariana ao longo dos vinte e um séculos de cristianismo: Maria, a mãe de Jesus, goza da dignidade de Rainha!

Essa fé nos leva a saudarmos a mãe, ao recitarmos: “Salve Rainha, Mãe de Misericórdia…”. Além disso, na ladainha, a invocamos doze vezes como Rainha. A Mãe Maria é Rainha: dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores da fé, das Virgens, de todos os Santos, Concebida sem pecado original, Assunta ao céu, do santo Rosário e, principalmente, Rainha da paz. Além disso, quem recita o rosário oferece uma coroa de 150 rosas (150 ave-marias) e, no quinto mistério glorioso, a contempla sendo coroada no céu.

Ao longo dos séculos, o povo, na sabedoria de sua fé, definiu os diferentes títulos com os quais quis venerar à Mãe de Jesus. Esse apelo se tornou tão expressivo que em 1954 o papa Pio XII fixou o dia 31 de maio como a data litúrgica para a celebração da Mãe Rainha.

E isso ocorreu como coroação do ano mariano que então se celebrava, comemorando os cem anos do dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, proclamado por Pio IX no dia 8 de dezembro de 1854, por meio da bula Ineffabilis Deus. Assim, Pio XII coroava o ano mariano e o mês de maio definindo uma data festiva para celebrar a devoção popular que reconhece em Maria a Rainha.

Com isso, algumas das festas marianas ficaram interligadas. Começando com a Imaculada Conceição (definida por Pio IX, 8/12/1854), é a solenidade em que a Igreja afirma que Maria foi isenta do pecado.

Após sua ressurreição Jesus chamou a Mãe para a morada eterna. É a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, celebrada dia 15 de agosto, conforme fixado por Pio XII na constituição apostólica Munificentissimus Deus (1/11/1950).

Quase como extensão da Assunção, celebramos a memória da realeza mariana: Nossa Senhora Rainha. Esse reconhecimento foi feito pelo mesmo Pio XII por meio da encíclica Ad Caeli Reginan. Nessa encíclica, além de declarar a realeza mariana, convida à veneração de Maria Rainha para que a Senhora conceda a Paz ao mundo ainda assustado com as duas grandes guerras. Daí o título de Nossa Senhora Rainha da Paz.

Com a reforma litúrgica do Vaticano II, os bispos conciliares acharam melhor transferir a data litúrgica para o dia 22 de agosto. Exatamente oito dias após a celebração da solene Assunção de Nossa Senhora.

Dessa forma temos algumas das principais celebrações marianas: Imaculada Conceição, 8 de dezembro. Assunção de Nossa Senhora, 15 de agosto. E o reconhecimento da realeza mariana, no dia 22 de agosto, como uma espécie conclusão da Assunção.

Resta uma indagação: Como estender essa perspectiva histórica e teológica para a ação pastoral?

Podemos fazer isso a partir de dois pontos.

Primeiro relendo Ex 3,7-10 em perspectiva mariana. Deus viu, ouviu e desceu para libertar seu povo e enviou Moisés; no tempo oportuno veio até Maria e a enviou primeiro como mãe, depois como discípula e por fim como rainha. Uma rainha que não está aí para reinar de forma absoluta, como fazem os donos do nosso mundo, mas como modelo de mulher servidora. Ela abre mão de sua vida para dar vida ao Filho que dá vida ao mundo.

Depois olhando a atitude de Ester, intercedendo em favor de seu povo: “Se o senhor quiser fazer-me um favor, se lhe parecer bem, o meu pedido é que me conceda a vida, e o meu desejo é a vida do meu povo” (Es 7,3-4). A rainha Ester mostra a quê se dedica a rainha: defender a vida e a liberdade.

Maria, “mãe de Misericórdia”, é invocada como “advogada”, quando recitamos a “Salve Rainha”. Ela é nossa advogada não só para livrar das dores do dia a dia, mas também para iluminar os caminhos da transformação social uma vez que ela, livre do pecado, quer pela graça de seu Filho, libertar a humanidade dos pecados sociais: da violência, da segregação, da exclusão, da fome, da ambição, da ganância… para que não haja opressores nem oprimidos mas um reino de amor, respeito e solidariedade.

Cumprindo o que Maria, a Mãe conselheira e rainha dos Apóstolos, recomendou “fazei tudo o que ele vos disser” seremos livres dos pecados pessoais e sociais. É o apelo de Nossa Senhora a Rainha, a quem pedimos ajuda, “para que sejamos dignos das promessas de Cristo”.





Neri de Paula Carneiro

7.8.26

NO VELÓRIO

Foi meu primo quem me contou.

Ele jura que é verdade, que viu com os próprios olhos, que aconteceu bem do ladinho dele …

A mulher do prefeito, de uma cidade vizinha, veio para o velório. O velório também era lá, nessa cidade!

E tinha bastante gente pois a morte é a situação da vida que mais atrai gente: gente amiga, gente curiosa… e gente que quer ter certeza que o traste morreu mesmo!

Todos sentados, cada um chorando do seu jeito. Cada um falando as próprias opiniões a respeito do defunto, "pessoa tão boa!" - diziam, meio que por obrigação.

Você já deve ter visto isso que acontece e visto como é engraçado: o defunto pode ser um traste, mas vira uma excelente pessoa depois que morre: “Pena que morreu tão jovem. Tão bom que era!”

Do lado do meu primo, que era conhecido do defunto, que havia virado gente boa (bem, é isso o que acontece! Também não sei se não era.)… do lado do meu primo estava a mulher do presidente da câmara municipal.

Ela também era antiga conhecida do defunto. Ela também era colega do meu primo. Eles haviam feito faculdade juntos, e essas coisas... 

Os três … o defunto, meu primo e ela, que acabou casando com um qualquer… que virou presidente da Câmara, tempos depois quando todos já estavam estabelecidos na vida… no caso, o defunto, agora morto… os três continuavam mantendo a amizade antiga...

Mas essa é outra página da história que, se você me der um tempinho, conto depois!

Do lado que era o outro lado da mulher do presidente da Câmara, na cadeira vaga, sentou outra mulher. Chegou em silêncio e sentou-se. Permaneceu em silêncio, mas só por alguns segundos.

Não começou falando. Começou mexendo e remexendo naquela enorme bolsa.

O tamanho da bolsa era ostensivo. Só por ostentação, mesmo, pois, todo mundo sabia – no caso eu só fiquei sabendo porque meu primo contou – ela era assim mesmo, meio espalhafatosa.

Mexe que remexe na bolsa até que solta um suspiro de alívio e tira as mãos de dentro da bolsa. Na mão vem um celular. No celular devia haver algo muito importante, pois ela apertou o botãozinho – também isso quem me contou foi meu primo, eu não estava lá, nem vi nada disso! – e o aparelhinho fez um “bip!” e ela, ainda de forma espalhafatosa, começou a procurar algo.

Devia estar procurando algo na sua galeria de fotos, pois depois de mais alguns segundos interrompeu os gestos de passar os dedos na tela e esticou os olhos para algo que estava vendo na tela do aparelho.

Olhou mais uma vez e piscou os dois olhos, como quem está querendo ver com mais nitidez.

Depois de piscar e rever o que estava vendo, tocou o braço da amiga do meu primo, que era a mulher do presidente da câmara.

Ah! Antes que eu esqueça, a mulher espalhafatosa de bolsa ostensiva e de celular na mão era a mulher do prefeito.

E as duas eram não exatamente amigas, mas conviviam amigavelmente por conta da função dos respectivos maridos… mas isso também faz parta de outra página da história … que conto outro dia, caso você queira saber os detalhes …

Pois antão, depois de se certificar de que era aquilo mesmo que estava buscando em sua galeria, a mulher do prefeito, que não era amiga do meu primo, tocou o braço da mulher do presidente da câmara, que era amiga o meu primo, para mostrar algo, que meu primo não viu. Tocou novamente o braço da amiga e mostrou a tela do celular:

- Conhece? – perguntou para a mulher do vereador que era o presidente da câmara.

Antes que ela dissesse que sim ou que não, completou sua intenção, que era falar da outra pessoa que estava estampada na tela.

- Morreu!

Ainda sem dizer uma palavra, a amiga do meu primo se reposiciona na cadeira para ver melhor o que deveria ser uma foto de uma pessoa morta. E a outra continuou:

- Devem ter feito photoshop na foto. Ela não era bonita assim…

As duas se olharam. A mulher do prefeito para ver a reação da mulher do vereador e a mulher do presidente da câmara querendo entender as intenções da mulher do prefeito…

Meu primo não soube me dizer o que aconteceu na sequência do que poderia ser o início de um diálogo, pois chegou o padre pra jogar água benta na cara do defunto que já estava de saída.




Neri de Paula Carneiro


6.8.26

… DO FILHO

Pai,

poder e força, figura da fonte

vivificadora,

desde sempre até agora

em mim você é lembrado:

sou o filho de ti gerado.


Pai,

amor na forma de trabalho.

És presente

e discreto, no olhar sorridente.

Teu projeto é me ver crescer.

Teu orgulho é me ver vencer!


Pai,

isto que agora te digo, só diz

um pouquinho,

do que recebi com carinho,

da tua suada mão condutora

mostrando o rumo, a aurora.


Neri de Paula Carneiro

Qual pai?

Lembra daquela do Amado Batista:

“Ah! Como eu queria, voltar ao passado”?

E se eu voltasse, eu seria o eu do passado ou o eu atual? E se fosse o eu atual, não seria o eu do passado, mas eu no passado, portanto, descontextualizado.

E se eu voltasse, eu iria alterar o passado? Se alterasse, o eu atual não seria eu, mas outro, pois o que sou se deve ao que vivi ao longo dos anos. Isso me fez ser o que sou!

E se eu voltasse, que diria ao meu pai, diferentemente do que já disse? Que faria, além do que já fiz? E se dissesse ou fizesse, iria alterar nossa relação de pai para filho? Ou agora, eu no passado, levando-me como sou, manteríamos uma relação de pai para pai?

E se eu voltasse, poderia fazer hoje a mesma homenagem ao pai que deixei lá? Ele já se foi, mas se eu voltasse, qual o pai que encontraria, aquele com quem cresci ou este que vive em minha memória e me embala o coração?

E então, hoje, qual é o pai a quem faço homenagem? Faço homenagem ao pai que já não tenho, ou ao pai que vive em mim?

Ou, e isso é nefasto, faço homenagem ao meu pai porque é isso o que se faz ou porque é dia dos pais? Faço homenagem ao pai que tive ou àquele com quem convivo, na memória? Faço homenagem porque é meu pai ou porque é dia de homenagem?

Neri de Paula Carneiro


 

2.8.26

PAI

Pessoa especial, pai,
possuis o dom de amor.
Podes crer, és genial!

Amor, manifesto em gestos,
assim é que te admiro.
Abraços do teu rebento.

Imagem do criador,
isto emana de ti:
Imagem e exemplo e amor.

2.7.26

POSTURA CELEBRATIVA

Como devemos nos portar durante a celebração eucarística ou da palavra, em nossas comunidades? Para que servem os folhetos da celebração? O que eles contêm?



Os folhetos são um roteiro para as celebrações. Não é a celebração, mas os passos a serem dados pelo presidente, leitores, cantores e toda a assembleia. No folheto estão as orientações a serem seguidas por todos que estão celebrando.



Isso significa temos que ler tudo o que está no folheto, durante a celebração?

Não necessariamente.

Algumas partes o presidente pode usar as próprias palavras, para facilitar a compreensão e a comunicação. Porém, se não tem muita segurança, é melhor seguir o que está escrito no roteiro.

O mesmo vale para os cantos: podem ser usados os que estão no folheto ou outros, escolhidos pela equipe litúrgica. Porém, quando for fazer isso, a equipe litúrgica tem que escolher cantos adequados e que coincidam com o que se está celebrando. Não é qualquer canto que pode ser usado na liturgia.

Entretanto, no folheto existem partes que não podem ser puladas ou ditas de qualquer forma. E isso vale tanto para quem preside a celebração como para quem faz as leituras, os cantos, os salmos… E, o mais importante: Tem que ler com calma e pausadamente para que as pessoas entendam o que está sendo lido.



Então, o que a equipe litúrgica tem que fazer para não fugir do roteiro, previsto no folheto?

A equipe tem que se preparar. Tem que estudar. Tem que lembrar: sua ação destina-se a ajudar a assembleia a orar e não fazer um pequeno show para a comunidade.

A assembleia, que vem para celebrar, precisa ser bem direcionada pela equipe que conduz as atividades litúrgicas. E, para conduzir bem, a equipe tem que estar preparada. E, para se preparar bem, precisa estudar, ensaiar, ler bem o folheto antes da celebração. Ver o que está previsto nas rubricas (aquelas letrinhas vermelhas que orientam como se deve agir). Organizar o que tem que ser preparado antecipadamente. Cada um deve ler e reler o folheto e as orientações para entender bem qual é a sua função, para fazer bem feito. Deus merece o melhor de nós, e a comunidade também. E, detalhe importante, todos devem se ajudar a fim de preparar o que tem que ser preparado.

E, para tudo isso, tem que chegar antes do início da celebração. Só assim terá tempo de preparar o ambiente. Chegar atrasado, não se preparar, ser negligente… é uma forma de dizer que a celebração e aquilo que se celebra não é importante. A negligência é uma forma de negar ou desvalorizar o sacrifício de Jesus e desmerecer o que ele fez em nosso favor.

Estando tudo preparado, quando as pessoas chegarem vão se sentir bem e envolvidas no ambiente celebrativo. Por isso, não se deve ficar “correndo” de um lado para outro, nem falando alto, nem conversando com o colega do lado, nem brincando com o celular, nem fazendo fotos e vídeos… A preparação do ambiente já é parte da celebração. Cada membro da equipe litúrgica, ao fazer qualquer coisa em preparação para a celebração, deve fazê-lo em clima de oração. Deve se lembrar de que sua ação tem a finalidade de celebrar a presença de Jesus Ressuscitado entre nós.



E se for a celebração da missa?

O clima de preparação é o mesmo. Na Missa vamos atualizar o sacrifício de Jesus, depois de ouvir sua palavra orientadora e salvadora. Por esse motivo, também na Missa a equipe litúrgica tem que estar bem preparada.

E, tanto na missa como na celebração da Palavra, a função da equipe de liturgia é ajudar a criar um clima celebrativo, de encontro entre irmãos, de agradecimento a Deus. Ajudar a criar um ambiente de alegria, festivo, mas não de algazarra.



Exatamente o que devemos fazer durante a celebração?

Primeiro lembrarmo-nos de que estamos num encontro de oração. Não se trata de uma reunião de festa, comilança, cantoria ou de falar mal da vida dos outros. É um encontro festivo, com Deus e com os irmãos, para nos alimentarmos espiritualmente a fim de voltarmos para casa com maior disposição de seguir Jesus e realizar suas obras: boa relação com as pessoas, caridade, fraternidade, respeito…



Como isso aparece nos folhetos que usamos em nossas celebrações?

Acolhida: É o início da celebração. E isso se faz com um canto de acolhida: a Igreja está acolhendo os irmãos. Terminado o canto todos nos assinalamos com o sinal de nossa fé, traçando sobre o corpo o sinal da cruz salvadora. Reafirmando nossa fé, pois o que nos reúne é a certeza da ressurreição mostrada por Jesus.

Ato Penitencial: Depois que nos cumprimentamos, com o canto de entrada, vamos nos colocar diante de Deus e dos irmãos admitindo que nem tudo que fizemos foi bom. O Ato Penitencial é o momento de pedir perdão ao Senhor Jesus Cristo que nos perdoe por não termos nos esforçado o suficiente para que seu Reino de amor se instale definitivamente.

Glória: Em agradecimento ao Perdão, cantamos a glória do Senhor. Um detalhe importante: o pedido de perdão é dirigido a Jesus, o Glória é oferecido à Trindade Santa.

Oração da Coleta: Agradecidos pelo perdão e tendo glorificado a Deus, podemos nos dirigir diretamente a ele com nossas intenções. É o momento da oração da Coleta. O presidente da celebração acolhe todos os pedidos da comunidade e, em nome da Igreja faz uma oração pedindo que Deus acolha esses pedidos.

Durante todo esse rito inicial permanecemos em pé, diante de Deus, como sinal de respeito àquilo que ele nos oferece. Proferida a oração da coleta, sentamo-nos para o rito da Palavra

Rito da palavra: Na liturgia da palavra vamos ouvir a proposta de Deus. Deus nos fala na primeira leitura. Nós respondemos com o Salmo Responsorial e nos preparamos para ouvir a segunda leitura. Durante todo esse tempo permanecemos na postura de quem está disposto a ouvir: sentados e atentos às leituras que devem ter sido bem preparadas, ensaiadas, pois Deus está falando por nosso boca. Por isso, ao final da leitura dizemos: “Palavra do Senhor”.

Proclamação do Evangelho: Durante o canto de aclamação ao Evangelho, ficamos em pé, em sinal de prontidão, como aqueles que se levantam da morte para a vida. O presidente da celebração (ou o diácono, quando for o caso) nos convida a reconhecer a presença do Senhor com as palavras: “O Senhor esteja convosco!”. A assembleia responde: “Ele está no meio de nós!”. Fazemos isso para afirmar que reconhecemos o Senhor em suas palavras. Em seguida o presidente apresenta o texto evangélico: “Proclamação do Evangelho…”. Ao terminar a proclamação afirma: “Palavra da Salvação!”.

Homilia: Terminada a proclamação do Evangelho todos se assentam para ouvir a Homilia (conversa em família), os ensinamentos das leituras. Uma explicação das leituras proferidas em busca de ensinamentos a serem aplicados no dia a dia dos irmãos. A homilia é uma catequese, pois atualiza o sentido das leituras para a comunidade de irmãos (homilia: conversa em família) a fim de que todos entendam como devem vivenciar o ensinamento no dia a dia.

Profissão de fé: Em resposta à proposta de Deus, nas leituras e na homilia, a comunidade se levanta e, em pé, afirma sua fé recitando “Creio”. Essa oração é uma síntese daquilo que o Cristão acredita: Deus é Pai criador; Jesus atuou na história, pois é o Filho redentor; o Espírito Santo santifica e conduz a Igreja; os santos são modelos para chegar à vida plena e eterna.

Preces ou Oração dos fiéis: Aquele que acredita, sabe que está próximo de Deus, por isso apresenta-lhe as preces da comunidade e da Igreja. A celebração (da palavra ou da Missa) é uma ação da comunidade. Sendo uma ação da Igreja, ela orienta que se façam preces: pela Igreja, pelo papa e ministros ordenados a fim de que sejam fiéis na condução dos irmãos; pelas autoridades a fim de que promovam a justiça e a equidade; pela comunidade a fim de que se mantenha unida e crente. Em atitude confiante a comunidade se mantém em pé para fazer suas preces: uma conversa franca da comunidade com o Senhor.

Oferendas: A fé nos assegura uma certeza: Deus nos ouve sempre (Lc 11,9). A certeza disso são os dons que recebemos. Como forma de agradecimento pelos dons que de Deus recebemos retribuímos oferecendo-lhe nossa vida. É o ofertório. Agradecendo o que recebemos devolvemos uma pequena parte, como um gesto concreto de pertencimento à mesma família. Levamos em procissão os sinais de nossa gratidão que pode se expressar numa oferta em dinheiro. Enquanto a comunidade caminha para fazer sua oferta os demais, sentados, entoam um canto que expressa a gratidão pelos dons recebidos e que são devolvidos em oferenda.

Preparação para a Comunhão: terminado o rito das ofertas, a comunidade se levanta, em postura de prontidão. É o ponto alto da celebração.

Na missa, após o rito das ofertas inicia-se o rito sacramental: oração eucarística, consagração e comunhão. Permanecemos em pé. Com isso querendo dizer que estamos prontos para responder ao chamado. No momento da consagração pode-se permanecer em pé ou ajoelhado, mas sempre com os olhos fixos no altar, pois ali Jesus está, mais uma vez, oferecendo-se em favor de nossas vidas.

Na celebração da Palavra, o presidente convida a comunidade para entrar em sintonia com o Pai e com os irmãos. Reza-se o Pai Nosso e se faz um rito da paz. Este rito de paz quer nos convidar à reconciliação com os irmãos da comunidade e pedir a ajuda de Deus para construirmos a paz em todos os níveis da vida humana.

A comunhão: Terminado o rito da paz o ministro da comunhão estende o corporal sobre o altar e apresenta a hóstia consagrada. Todos devem olhar para o Cristo ali presente na forma eucarística.

Forma-se a fila para receber o Cristo Eucarístico. Quem vai comungar, em pé, estende a mão para receber a Eucaristia. Enquanto isso toda a assembleia entoa o canto de comunhão.

A Igreja permite que se receba a comunhão diretamente na boca. Mas esta é uma atitude um pouco fora de propósito, uma vez que Jesus se oferece como alimento, quem somos nós para nos recusarmos a tocar nesse alimento sagrado? E se a alegação é que as mãos estão impuras, então todo o restante do corpo também está, pois as mãos não se tornam impuras sozinhas.

A Igreja também admite que a pessoa que vai receber a comunhão fique ajoelhada. Porém, numa festa, quem fica ajoelhado para alegrar-se e alimentar-se? A comunhão é a Festa da Eucaristia; é a Festa da Entrega Salvadora de Jesus. É o próprio Jesus quem convida a nos erguermos para caminhar com ele. A postura litúrgica do seguimento de Jesus é em pé.

Depois que se comunga, pode-se fazer uma breve oração de agradecimento ou ajudar a entoar o canto de comunhão. Sentados em atitude de espera, para que se possa seguir juntos para a oração e ritos finais.

Ritos Finais: Após a comunhão o presidente convida a assembleia para a “oração após a comunhão”. Trata-se de um agradecimento pelo alimento e pedido do auxilio divino para viver o que foi celebrado.

Seguem-se os avisos da comunidade e a benção final. O ato da celebração termina com a benção e todos entoando o canto final. Cantando o canto final deixa-se a Igreja levando a benção de Deus para os lares.




Neri de Paula Carneiro

1.6.26

O QUE CONVÉM?

"Tudo me é permitido, mas nem tudo convém"

Você sabe quem disse esta frase? O apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios (6,12).

E porque ele disse isso?

Todo texto bíblico deve ser lido dentro do contexto. Assim sendo, temos que levar em conta o contexto de Paulo, da comunidade e o conjunto do texto. Com isso em mente, temos que nos perguntar em que contexto o apóstolo escreveu esta carta e aí entenderemos porque disse isso e como aplicar isso em nosso contexto litúrgico.

Só assim entenderemos nosso papel na celebração litúrgica.

A frase toda de apóstolo diz assim: “ ‘Tudo me é permitido’, mas nem tudo convém. ‘Tudo me é permitido’, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma” (1Cor 6,12). E ele está falando isso porque nessa comunidade as pessoas estão desrespeitando umas às outras e degradando o próprio corpo.

O apóstolo está falando isso porque na comunidade de Corinto existem muitas coisas que as pessoas fazem livremente, mas nem todas as coisas são agradáveis a Deus. O que agrada a Deus, diz Paulo é cuidar bem do corpo, pois nele habita o Espírito Santo. Portanto, ninguém pode maltratar o próprio corpo nem o de outra pessoa.

Se o Espírito vive em nós, significa que a própria Santíssima Trindade está em nós, pois fomos batizados em seu nome.

E sabendo que toda a liturgia e tudo que fazemos nas nossas celebrações tem como objetivo nos unir àquele que nos fortalece, àquele que vive em nós, somos convidados a fazem bem nossa celebração litúrgica, pois este é um momento especial, no qual cada um de nós estabelece contato com o Senhor. Ou seja, é por Deus e por aquilo que ele nos ensina que participamos das celebrações e executamos as atividades litúrgicas.

E aqui está um dado importante: Nossa obrigação é PARTICIPAR da celebração litúrgica e não apenas visitar a igreja; ou fazer dela um espeço de encontro e de interação social.

Mas, em que consiste esse PARTICIPAR?

Consiste em fazer aquilo que nos compete e não interferir naquilo que compete ao outro: Tudo posso, mas nem tudo me convém!

Em nossas celebrações, tanto da palavra como da Eucarística (a Missa), existem partes que cabem somente ao presidente da celebração; partes desempenhadas por algumas pessoas e partes destinadas a toda a assembleia. Da mesma forma: existem gestos e palavras que todos devem executar e atitudes que não cabem nas nossas celebrações.

Então, o que é Liturgia?

Liturgia é uma palavra que significa ação do povo. É o conjunto de atos, palavras, textos gestos, melodias… executadas por um grupo orante durante uma ação celebrativa. E isso é feito dentro de um ritual preparado pela Igreja.

Porém, devemos entender que a liturgia não é a ação do padre ou do presidente da celebração; não são os cantos litúrgicos, entoados durante a celebração; não são as leituras, proclamadas durante a celebração; não são as preces nem o sentar, ajoelhar ou ficar em pé durante a celebração; não é comungar ou responder às partes que cabem à assembleia, durante a celebração… não é nada disso, feito por cada individuo isoladamente, mas é, ao mesmo tempo, tudo isso, realizado de forma a ajudar toda a assembleia a se sentir mais intimamente ligada a Deus.

A celebração litúrgica é: * o presidente dizendo algo e a assembleia respondendo; * uma pessoa fazendo uma leitura e a assembleia ouvindo e, ao final respondendo; * são as preces proferidas individualmente, mas que toda a assembleia se junta para pedir que Deus as acolha (ao dizer: “atendei à nossa prece”); * é a assembleia toda entoando cantos de acolhida, de oferenda, de partilha, de caminhada, de louvor, de agradecimento…

TODOS devem cantar os cantos litúrgicos, durante a celebração. Os cantos litúrgicos, assim como toda a celebração, não é momento para apresentações ou shows pessoais. Por esse motivo. A equipe que inicia (que pucha) os cantos, deve ensaiar bem entre si e ajudar a assembleia a aprender a melodia e a letra de cada canto. Pois os cantos são preces e pedidos e intercessões e agradecimentos… de toda a assembleia.

Mesmo o salmo: o solista entoa as estrofes e a assembleia responde com o refrão. Da mesma forma a “Oração dos fiéis” ou “oração da assembleia”: uma pessoa lê as preces e a assembleia intercede pedindo que Deus aceite o pedido. Quer dizer, a assembleia assume como sua, a prece de cada indivíduo.

Portanto, a celebração litúrgica é de todos, pois a Igreja somos todos e não só alguns iluminados ou privilegiados; a ação litúrgica da Igreja só ocorre com a participação de todos.

*****

E quais as atitudes que não cabem nas nossas celebrações?

a) Individualismo: A ação litúrgica é ação de um corpo, chamado Igreja e num corpo todos os membros são importantes;

b) Ostentação: atitude e postura de quem quer fazer para se mostrar, querendo ser modelo, exemplo a ser seguido. O único modelo a ser seguido é o de Jesus de Nazaré;

c) Superioridade: Atitude de quem pensa que a celebração lhe pertence. A celebração é uma ação litúrgica da Igreja, ninguém tem direito de se apropriar querendo fazer “do meu jeito”. O único jeito correto é o jeito da Igreja.

d) Atitudes incômodas: Atos ou atitudes que geram distração ou interferem na oração e na sintonia com Deus. Para evitar isso, tudo tem que ser preparado antes: microfone, folhas ou livro de canto, folhetos da celebração, organização da credência; limpeza do ambiente e organização dos bancos; ornamentação… Nada pode ser improvisado ou realizado sem preparação das equipes correspondentes, pois além de mostrar negligência mostra desinteresse para com as coisas de Deus e da Igreja.

e) Acomodação: a postura de quem chega em cima da hora ou atrasado demonstra irresponsabilidade, pois mesmo que tudo esteja preparado, podem surgir imprevistos; a acomodação evidencia a postura de quem não se coloca à disposição para ajudar a organizar o ambiente celebrativo; postura do tipo “eu faço a minha parte e os outros que se virem”. Esse tipo de atitude demonstra, além de imaturidade, falta de empatia, falta de sintonia, falta de dedicação a Deus e à sua Igreja.


*****

A Igreja, a celebração e os atos litúrgicos, são expressões de um corpo. Num corpo os membros não agem como se não fizessem parte de um conjunto. Pelo contrário, cada membro, cada parte do corpo existe para que todo o corpo seja saudável. Qualquer parte do corpo que não funcione bem, prejudica o todo e faz o corpo sofrer. O corpo só está bem quando todo ele está saudável. Cada um de nós, portanto, tem que assumir sua responsabilidade para que o corpo da Igreja seja saudável.

 

Neri de Paula Carneiro  

30.5.26

Santíssima Trindade: Deus é Comunidade.



O que celebramos na solenidade da Santíssima Trindade?

Quem é o nosso Deus?

Como iniciamos nossas orações?

Nosso Deus é um ou são três?

Em que parte da Bíblia está escrito que Deus é Trindade?

Vamos por partes. Na solenidade da Santíssima Trindade, evidentemente celebramos nosso Deus que é um só em três pessoas. Essa, portanto, é uma das mais importantes celebrações da fé católica. E, podemos dizer, está intimamente ligada à nossa profissão de fé. Basta nos lembrarmos o que dizemos quando recitamos o “Creio”: “Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador…”; depois dizemos acreditar em “Jesus Cristo, seu único filho… que há de vir julgar…” e continuamos dizendo: “creio no Espírito Santo”.

Nossa profissão de fé, portanto, é uma fé trinitária. Uma fé que se manifesta na Igreja, naquilo que a Igreja nos ensina a acreditar porque isso nos conduz para a vida eterna.

Portanto, celebrar a Trindade é celebrar a fé em Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Por esse motivo, desde muito cedo, nossas famílias nos ensinaram a traçar sobre nós o “sinal da cruz” repetindo as palavras “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. E dessa forma iniciamos e concluímos nossa orações.

Disso decorre a pergunta que deixa muita gente em dúvida. Não sem fé, mas numa situação de incerteza: é um ou são três deuses? Isso de Santíssima Trindade está na Bíblia?

De forma bem simplificada podemos dizer: um só Deus e três especialidades.

Quanto à Bíblia: não encontramos um texto da Bíblia em que aparece a afirmação de que Deus é Pai e Filho e Espírito Santo. O que encontramos são afirmações dos atributos divinos. Assim temos a face criadora do Deus Pai; a face Salvadora de Jesus de Nazaré, o Cristo e a face santificadora, geradora de comunhão, do Espírito Santo.

Isso podemos observar nas leituras que a Igreja nos apresenta para a celebração da Santíssima Trindade.

No livro do Êxodo (34,4b-6.8-9) vamos nos deparar com Moisés pedindo os favores de Deus para que esteja junto com seu povo: “caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados” (Ex 34,9).

Embora não mencione a Trindade, Moisés enumera atributos divinos: “Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. A partir dessas características, desses atributos é que passamos a identificar as Pessoas divinas. Mas aqui ainda estamos no contexto do Antigo Testamento e a revelação divina ainda não tinha se completado. Isso só se deu em Jesus Cristo.

Por isso é que quando lemos o trecho da carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 13,11-13) nos deparamos com suas palavras esclarecedoras.

O apóstolo nos ensina a nos alegramos no Senhor, apoiarmo-nos mutuamente, viver em comunhão e em paz.

E por que Paulo faz essa recomendação? Para que cresça na comunidade a “graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo”.

Notemos: aqui o apóstolo menciona as três pessoas, embora não use, como nós, a expressão Pai, Filho e Espírito. Sua fórmula é levemente diferente, mas menciona as três Pessoas.

Quando lemos o trecho do evangelho de João (3,16-18), compreendemos melhor.

O que ele diz? Afirma que “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho”. E aqui o raciocínio é simples: Se Deus enviou o Filho é porque ele é Pai. Assim, a afirmação de Paulo, mencionado o amor de Deus, a graça de Jesus e a comunhão do Espírito completa a Trindade.

Assim temos que Deus é Pai de amor, porque nos deu a criação para nela crescermos; Jesus é Filho e como tal veio a nós para nos redimir. A redenção, embora seja um dom pessoal destinado a cada indivíduo, depende da interação entre nós, por isso vem sobre a Igreja a comunhão do Espírito, para que os indivíduos aprendam a viver em comunhão, como existe comunhão na Trindade.

Isso nos ensina uma canção sobre o Espírito Santo, na qual irmã Miria Therezinha Kolling e Lúcio Floro explicam a Trindade: "Aconchegais como se fosse um ninho, convosco o Pai, o Filho em tal união, que Deus é único sem ser sozinho: são três amando num só coração".

É um só Deus, agindo de três formas diferentes e nos convidando a vive em comunidade pois assim criamos comunhão, que é o dom do Espírito. Assim podemos nos ajudar a caminhar no caminho do perdão, pois vivemos entre irmãos limitados e fracos, carentes do perdão do Filho e todos nos dirigimos ao Pai que nos quer em seu amor, agora e para sempre.






Neri de Paula Carneiro

21.5.26

O católico na celebração

Como um católico deve se comportar, durante as celebrações?

O que podemos e o que não podemos fazer, durante a celebração da Palavra ou durante a Missa (Celebração da Eucaristia) ou nas celebrações dos outros sacramentos?

Antes de respondermos isto, temos que nos perguntar: o que vamos fazer na igreja (o templo) em que nos reunimos para a celebração? (Lembrando que chamamos de igreja – escrita com letra minúscula – aquela construção onde nos reunimos para celebrar. Diferente de Igreja, que é a assembleia dos fiéis. Podemos dizer que a Igreja reúne-se na igreja).

Vamos à igreja para: encontrarmo-nos com os demais membros da comunidade que comungam a mesma fé; celebrar nossa fé; ouvir a Palavra de Deus; participar da celebração que faz a memória da entrega de Jesus.

Não vamos à igreja para: bater papo; mostrar uma roupa nova; mostrar que sabemos mais do que os outros; fazer fofoca; falar da vido dos outros…

A igreja, nosso templo, é uma casa de oração, por isso foi que Jesus se zangou (Jo 2,16) contra aqueles que haviam transformado o templo num ponto de encontro e comércio. O templo, é casa de encontro, para a oração em comum.

Lembremo-nos que Jesus ensinou duas formas de oração:

Oração individual para fazer no silêncio das nossas casas (Mt 6,6);

Oração comunitária (Mt 18,20), no templo. Jesus mesmo fazia dessa forma: afastava-se do grupo para orar em silêncio e frequentava o templo para as orações em comunidade.

Nossa sintonia com Deus deve ocorrer em nosso cotidiano, em cada momento, em cada ação, no silêncio do nosso coração. Também deve ocorrer, pelo menos uma vez por semana, em sintonia com os demais crentes, na casa de oração, junto com toda a Igreja.

A oração pessoal pode e deve ser feita em qualquer lugar; em qualquer momento. Para agradecer e pedir.

Por que devemos nos reunir, na casa de oração? Para agradecer a Deus os dons recebidos; para pedir graças; para nos fortalecermos diante das dificuldades; para rezarmos uns pelos outros.

E como devemos fazer essa oração comunitária? PARTICIPANDO das celebrações!

O encontro na casa de oração não é para assistir à Missa, nem para ouvir o que dizem os ministros. A igreja não é uma casa de espetáculo onde vamos assistir a uma apresentação. Nem a equipe que dirige a celebração são artistas apresentando-se em um show. O padre, os ministros, a equipe de cantores, os leitores, os salmistas, os acólitos e coroinhas… estão realizando uma função litúrgica e não numa apresentação teatral; não estão ali para serem vistos, aplaudidos ou criticados. Sua função é ajudar a comunidade a participar de um ato celebrativo. E a comunidade, a Igreja, também está lá para celebrar e, portanto, não deve permanecer indiferente a tudo que acontece. Para isso, a equipe que conduz a celebração tem a função de motivar a todos para a celebração; ajudar a todos a entrarem em sintonia com Deus.

Assim sendo, se a celebração é o ponto de encontro e sintonia com Deus, não é momento de: conversar com quem está do lado; mexer em celular; reparar a roupa, o cabelo ou qualquer outra coisa das pessoas. Não é momento de sair para tomar água nem levantar para dar um passeio lá fora. É tempo de prestar atenção no que está sendo celebrando; aproveitar para estabelecer um clima de intimidade com Deus; seguir, com atenção, os ritos litúrgicos que são canais de encontro com Deus.

O encontro celebrativo é para participarmos como um corpo. Podemos entender melhor se compararmos a uma refeição. Vamos usar o almoço como exemplo. Quais partes de nosso corpo usamos para almoçar? as mãos, a boca e na maioria das vezes nos sentamos. Porém, quando ingerimos o alimento, todo o corpo participa, no processo digestório e na assimilação dos nutrientes. As mão não são mais importantes que os pés, pois sem os pés não conseguimos chegar até onde as mão vão manipular o alimento… e assim todos os demais membros do corpo.

A equipe litúrgica pode ser comparada com as mãos que manipulam o alimento para que todo o corpo seja alimentado: são as mãos que entregam o alimento ao corpo que é a comunidade; as mãos que servem o corpo.

Os diferentes membros do corpo de Cristo, que é a Igreja, reúnem-se para celebrar. E isso só acontece quando não agimos como se fossemos plateia num show ou num teatro. A celebração, portanto, depende da nossa participação. A celebração é um diálogo da comunidade com Deus.

Em qualquer lugar, em qualquer tempo, para que haja um bom diálogo, é necessário saber ouvir e saber falar.

Em nossa conversa com Deus, que ocorre na celebração (tanto da Missa como da Palavra) existem momentos em que Deus nos fala e nós ouvimos. E momentos em que nós falamos e Deus nos ouve: saber ouvir e saber falar.

E quais as posições de nosso corpo, durante esse diálogo, que é a celebração, ou o ato litúrgico?

Durante a celebração há momentos em que nos ajoelhamos, sentarmos e ficamos em pé

O que significam os gestos de ficar em pé, sentar e ajoelhar?

Em pé é a atitude de prontidão. É a atitude de quem ressuscitou e está pronto para caminhar com Jesus. Sentado é a atitude do discípulo que ouve. É a atitude de quem se dispõe a ouvir o ensinamento, a proposta de Deus para ser vivida ao longo da semana e durante toda a vida. Ajoelhado é a atitude de prostração. É a atitude de quem está morto nas fraquezas, na indiferença, no pecado. Por isso é que depois de se ajoelhar, a pessoa se levanta como a dizer que estava morto e com Cristo está ressuscitando.

Iniciamos a celebração em pé, por que é momento da chegada, do encontro. Depois nos sentamos para ouvir o que Deus nos tem a dizer, nas leituras. Ficamos em pé para acolher e ouvir Jesus falando na proclamação evangelho. Sentamos, novamente para ouvir a explicação das propostas que Deus nos fez por meio de sua Palavra.

O sinal de que estamos cientes, entendemos e concordamos, com a proposta divina é colocarmo-nos em pé. Levantamos dizemos que acreditamos e por isso fazemos nossas confidências ao Senhor: oração do creio e as preces.

Agradecendo a generosidade divina, nós nos oferecemos a ele. Oferecemos nossa vida no ofertório. Como símbolo dessa entrega, podemos depositar o fruto de nosso trabalho representado pelo dinheiro no cesto da coleta. Depois do ofertório vamos nos preparar para a refeição, por isso nos colocamos em pé.

Na missa, no momento da consagração, podemos ficar em pé ou ajoelhados. Mas sempre com os olhos voltados para o altar, em sintonia com o gesto de entrega de Jesus que se oferece como pão e vinho.

Em seguida nos colocamos em pé porque vamos receber de Deus o alimento para a vida: o corpo e o sangue de Cristo. O momento da comunhão é o ponto alto da festa em que nos encontramos com o Cristo Ressuscitado e que se oferece como alimento para nos dar vida.

Quem vai comungar caminha para receber o Senhor. Quem não vai comungar, permanece sentado, cantando, pois numa festa tem que haver alegria. Terminada a refeição, a comunhão, vamos nos preparar para voltarmos aos nossos lares levando Deus Conosco. O Deus que nos falou e que nos alimentou vai junto conosco para permanecer em nossos lares e nos iluminar em nossos afazeres durante a semana.

E, na semana seguinte voltamos à igreja para, como Igreja nos revigorarmos e refazermos o percurso celebrando a presença de Deus entre nós. 

 

Neri de Paula Carneiro

Mestre em Educação, filósofo, teólogo, historiador.



16.5.26

Sedução

Sedução, pura energia,

é sentimento em ação.

É o desejo, é a emoção,

é o beijo na boca da paixão,

é o dínamo que impulsiona

o motor da criação.


A força dessa energia move

não a boca para o beijo,

mas o desejo feito tesão.

Não o abraço que aquece

os corpos, mas o calor

que acende o desejo.

Não o aconchego passivo,

mas o regaço ativo da

sedução.

 

Neri de Paula Carneiro 

12.5.26

Instante fecundo

No instante eterno da criação

toda a dinâmica do cosmo,

feito um dínamo de luz

naquele fiat genético,

encontrou sentido

num momento

fecundo

quando a luz

veio ao mundo

não só em amparo

à condenação humana

no abissal recanto das trevas,

mas como indescritível gesto de amor

da divina energia inovadora dando à luz a existência.


Neri de Paula Carneiro

5.5.26

As cores litúrgicas

Todos aqueles que frequentam a missa – ou as celebrações da palavra – já observaram e se perguntam: por que de tempos em tempos o padre e as toalhas dos alteres aparecem com cores diferentes.

Os mais atentos já devem ter observado que em algumas missas o padre usa uma estola branca, em outras usa verde, depois muda para roxo ou vermelho. As alfaias – as toalhas dos altares – também mudam de cor, acompanhando as cores da estola do padre.

(Estamos nos referindo apenas à estola, que é aquela “faixa” de tecido que o padre usa como se fosse um cachecol e que representa a autoridade do seu ministério. Porém, quando o padre veste uma casula, ela também é verde. Casula é a veste litúrgica que o padre veste sobre a túnica e a estola, representando a proteção de Cristo). 

Por que essas mudanças de cores?

Dentro de sua sabedoria, a Igreja usa diversos símbolos para falar sobre os diferentes momentos da vida de Jesus. Um desses símbolos é a cor. Aliás, toda a liturgia é cercada de ritos simbólicos e todos querem nos ajudar a olhar, entender e seguir os passos de Jesus de Nazaré.

Assim sendo, com cada cor litúrgica a Igreja quer nos ensinar algo a mais para melhor nos relacionarmos com Jesus Cristo e com os irmãos.

Com as cores: roxa, branca, verde e vermelho, a Igreja sintetiza os principais momentos do ano litúrgico. E, com isso, nos convida a nos aproximarmos mais dos mistérios da vida e missão da Jesus (mencionamos apenas estas por serem as mais comuns, mas também se usa o dourado, o tom róseo e o preto).

O Ano Litúrgico inicia-se com o Advento. Tempo de reflexão e penitência. Para simbolizar isso a Igreja usa a cor roxa. Por isso o roxo também é usado na Quaresma. Quando o padre atende confissão ou faz as orações junto a uma pessoa que morreu, também usa uma estola roxa.

Seguindo o 
Ano Litúrgico, depois do Advento vem o Natal e o tempo do Natal. Nesse período a cor é branca. Essa cor, além de simbolizar a paz, para a Igreja também representa a alegria, sinal da ressurreição. O Branco é usado em celebrações festivas: Natal, Páscoa e nas celebrações de quase todos os santos, com exceção dos santos mártires.

Após o Ciclo do Natal inicia a primeira parte do Tempo Comum, período do Ano Litúrgico em que acompanhamos os diferentes passos e ações de Jesus de Nazaré. No Tempo Comum, usa-se o verde. Essa é a cor da esperança. Quem caminha com Jesus está na estrada da esperança: de seguir seus passos em favor dos irmãos e de acompanhá-lo na estrada para o Reino. Com o verde o cristão alimenta a esperança em poder participar do Reino que virá ao mesmo tempo que alimenta a esperança de não se perder na caminhada, afastando-se dos irmãos.

O Tempo Comum é formado de dois momentos. O primeiro, vem logo depois das festas natalinas. Compõe-se de seis ou sete semanas que antecedem ao período da Quaresma. Neste período litúrgico, a Quaresma, também se usa o roxo.

A Quaresma, assim como o Advento, é um período de preparação

* no Advento nos preparamos para receber Jesus menino; 

* na Quaresma nos preparamos para comemorar a ressurreição de Jesus, na grande comemoração da Páscoa.

Porém, antes da Páscoa, ocorre a Semana Santa que começa com a Quinta Feira Santa, na qual a cor é branca, pois trata-se de um dia festivo, uma vez que nesse dia Jesus se entrega como nosso alimento eucarístico e nos convida a perpetuar a memória de seu gesto de doação. 

O dia seguinte é a Sexta Fira Santa. É o dia da entrega do Senhor. Os paramentos (vestes do padre) e alfaias são vermelhas, simbolizando a entrega da vida, o sangue vertido na cruz. 

Na noite de sábado, o Sábado Santo, a cor litúrgica é branca, pois é uma celebração de alegria, de vida nova, de plenitude das promessas de Deus.

Além da Semana Santa, o vermelho também é usado nas celebrações dos mártires, por exemplo, São Pedro e São Paulo. Porém as festas de Nossa Senhora a cor litúrgica é branca, pois representa a alegria e a pureza da mãe de Jesus.

Resumindo:

Branco: é a cor de pureza, usa-se nos dias de Nossa senhora, festas alegres da vida de Jesus e dos santos virtuosos;

Verde: é a cor da esperança, usa-se durante o tempo comum, no qual celebramos o cotidiano da vida de Jesus;

Roxo: é a cor da penitência e da reflexão. Usado no Advento, Quaresma, atendimento de confissão e rituais com defuntos;

Vermelho: é a cor da entrega da vida. Com do sangue de Cristo. Usada nas celebrações de santos mártires, semana santa e celebrações que lembram o martírio.

Este circulo colorido, retirado da Internet (https://agenciaparabola.com.br/como-e-dividido-o-ano-liturgico/) , ajuda a entender a organização das cores litúrgicas ao longo do ano.








Neri de Paula Carneiro

1.5.26

SÓ VOCÊ

Depois de tantas, meu primeiro amor, foi você.

Só nos dois sabemos, quando te fiz mulher teu coração estava saindo de uma noite de muitas noites de ausências.

Só que, você sabe, não nos pertencemos. Nos entregamos tantas vezes e todas foram únicas, pois não nos embalava o desejo, mas a doação, divino dom.




Depois de você, nunca mais fui eu: sou você sem mim.

Só nos dois sabemos o drama do existir sem nos dar no calor do abraço, na vida, no beijo, na cama, nos planos de todos os dias.

Só você, nós sabemos, me conheceu plenamente, pois tomou nas mãos meu coração que te pertence. Está em meu peito, mas vive contigo: eu sem você e você em mim longe de ti.




Depois que nos separamos, meu destino longe do teu, vivemos duas vidas que eram uma, pois te afastastes de mim quando te deixei, por sonhos que não eram meus.

Só hoje, ao te ver em minhas lembranças, entendi que te fostes, pois tu festes a única sendo eu o teu primeiro. Onde estas, onde estou? Pergunto-me em minha noite sem você.

Só você, não estando aqui, permanece viva em mim. Sem ti não morri, visto que ainda sonho com teu perfume me embriagando, no balanço do bolero que dançamos embriagados de amor. Mas não vivo, pois só a lembrança não é vida e, quando vida, se faz ausência. Só o sonho me alimenta. Só você está em meu sonho. Só, sem você, sei que vivi com você, mas depois de você, onde está a vida?

Neri de Paula Carneiro

30.4.26

MÃE O ANO INTEIRO

Maio:

Mamãe querida!

Mamãe, te amo!

Mamãe, sentido da minha vida!

Mamãe, sem você eu nada seria, nem sei se seria.


Mamãe, você é tudo!

Mamãe, fonte de vida.

Mamãe, ventre sagrado…

Mamãe, luz do Criador!


Mamãe, rainha do lar.


Mamãe: faturamento comercial!!!


….

Junho: Mãe, ‘cê lavou minha roupa?

Julho: Mãe, cadê meu tênis?

Agosto: Mãe, vou chegar tarde hoje.

Setembro: Mãe, tá pronto o almoço?

Outubro: Mãe, ‘cê lavou meu uniforme?

Novembro: Mãe, para de pegar no meu pé, já cresci.

Dezembro: Mãe, o que tem hoje pro o almoço?

Janeiro: Mãe, onde está aquela camiseta?

Fevereiro: Mãe, coisa chata, já disse que não quero.

Março: Mãe, tô com dor de cabeça!

Abril: que saco, mãe!

Maio:  


        Neri de Paula Carneiro

24.4.26

BENDITO

És o mais bonito, meu país.

Bendito és, não pela cruz

que te cravaram em teu

dia primeiro, mas

pelo sonho que

inspiras.


Terra, água, sol, mar… tudo.

Bendito és, não pelo dom

da exuberância natural,

presente do criador,

mas por teu povo,

herói lutador


Tua gente, meu país, gigante.

Bendito és, não por tantos

te massacrando. Gritas:

desumano! Tanto

dano mancha

rubro chão

Brasil!


És pátria, amada, Brasil e assim

bendito és. É assim teu povo

teu chão, teu sertão. Tua

cruz nos deu Jesus que

clama: esse povo

merece comer, quer

viver, não nessa cruz,

mas dos frutos do labor

hoje negado. É abençoada:

terra, água, sol, mar: povo bendito!


Neri de Paula Carneiro

18.4.26

É DOCE

É doce morrer no mar

No doce mar da paixão

Triste do amor que morre

No sal triste da solidão


Em meu poema prolixo

O amor vem do oceano.

Viaja em palavras, sufixo,

morfema, radical pequeno.

Mostra seu predicado,

pois cresce sem pecado

no presente do verbo amar

como quem ama sonhar


No doce mar da paixão,

é doce morrer nesse mar.


 

Neri de Paula Carneiro 

NEM DÁ TEMPO

Nem dá tempo de dizer:

Agora!

E o tempo se foi.

Tempo que seria

tempo de espera,

tempo esse que é.

Tempo pra depois.


Nem dá tempo de sonhar

e a noite virou dia

trabalho, luta correria,

fadiga. Está pronta

a melodia.

E o tempo, onde está?

Passou, como passa a poesia


Nem dá tempo e os ponteiro do

relógio tricotam todo tempo

estendido, lento, dentro

do espaço infinito

escorrendo no

longo vão de

um breve

tic-tac!

Tic!

9.4.26

VIVER COBRA AMOR

VIVER COBRA AMOR

        Neri de Paula Carneiro


Como perdoar o perdão por ser assim

generoso?

Como não gritar ao vento esse seu gesto

bondoso?

Se o viver cobra amor, que sobra para

redimir?


Oh! triste sina, do perdão! Sobreviver

em meio à maldade e ingratidão. Ele

só é necessário onde não existe amor

em gestos e no coração.

Se amor e generosidade houvesse,

se gratidão florescesse, se ambição

não existisse… não haveria perdão.

Seria ele desnecessário!

Quem ama não magoa. Não havendo

agressão, desnecessária a redenção.


Oh! bondoso perdão, em seu lugar

haveria: gestos de alegria, abraços,

sintonia de corações em harmonia

de vida. E a paz seria um dom,

crescendo no jardim da amorização.

       

1.4.26

FRASES SOLTAS

Frases soltas soltam meu grito

que cala tudo que pensei dizer

com meu silêncio;

Frases soltas soltam e selam

minha angústia que interpela

a fome: um suplício.


Frases soltas clamam meu grito:

o silêncio é conivente com a

dor do sofredor.

Frases soltas me incendeiam,

desafiam o olhar, a consciência:

silêncio desolador.


Frases soltas não condizem

com a esperança de mudar

essa torpe agressão.

Frases solta só

soltam

palavras, que não

cobram compromisso, pois

o silêncio do grito emudece

a canção.


Neri de Paula Carneiro

26.3.26

SEU NOME?

Ele chegou de mansinho

e foi ficando.

Instalou-se, não como se

fosse invasor, mas

como quem sabe que vai

permanecer e fazer moradia,

alojar-se de forma definitiva.


Tocou meu ser, devagar, mas com intensidade

Claro que eu não queria,

mas ele se apossou de mim,

penetrando, fundo em meu ser.

Hoje sei, foi violento e inesperado.

Gelei,

mas não gritei:


Não era isso que eu queria para minha vida.

Nunca havia sentido algo

tão intenso, vibrante, algo

tão forte, indefinível, algo

que mexesse com meus sentimentos, como ele.


Só então, com ele dentro do meu ser,

foi que o conheci plenamente.

Seu nome?

Medo!

 

Neri de Paula Carneiro.

Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador

Outros escritos do autor:

Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.

E.books: https://www.calameo.com/subscriptions/7509406

Blog: https://pensoerepasso.blogspot.com

Devoção à Rainha

“Eis ai tua mãe!” Isso foi o que falou Jesus a João, na cruz, num triângulo de doação: Jesus entregou a vida em nossa defesa; Maria entregou...