2.7.26
POSTURA CELEBRATIVA
Os folhetos são um roteiro para as celebrações. Não é a celebração, mas os passos a serem dados pelo presidente, leitores, cantores e toda a assembleia. No folheto estão as orientações a serem seguidas por todos que estão celebrando.
Isso significa temos que ler tudo o que está no folheto, durante a celebração?
Não necessariamente.
Algumas partes o presidente pode usar as próprias palavras, para facilitar a compreensão e a comunicação. Porém, se não tem muita segurança, é melhor seguir o que está escrito no roteiro.
O mesmo vale para os cantos: podem ser usados os que estão no folheto ou outros, escolhidos pela equipe litúrgica. Porém, quando for fazer isso, a equipe litúrgica tem que escolher cantos adequados e que coincidam com o que se está celebrando. Não é qualquer canto que pode ser usado na liturgia.
Entretanto, no folheto existem partes que não podem ser puladas ou ditas de qualquer forma. E isso vale tanto para quem preside a celebração como para quem faz as leituras, os cantos, os salmos… E, o mais importante: Tem que ler com calma e pausadamente para que as pessoas entendam o que está sendo lido.
Então, o que a equipe litúrgica tem que fazer para não fugir do roteiro, previsto no folheto?
A equipe tem que se preparar. Tem que estudar. Tem que lembrar: sua ação destina-se a ajudar a assembleia a orar e não fazer um pequeno show para a comunidade.
A assembleia, que vem para celebrar, precisa ser bem direcionada pela equipe que conduz as atividades litúrgicas. E, para conduzir bem, a equipe tem que estar preparada. E, para se preparar bem, precisa estudar, ensaiar, ler bem o folheto antes da celebração. Ver o que está previsto nas rubricas (aquelas letrinhas vermelhas que orientam como se deve agir). Organizar o que tem que ser preparado antecipadamente. Cada um deve ler e reler o folheto e as orientações para entender bem qual é a sua função, para fazer bem feito. Deus merece o melhor de nós, e a comunidade também. E, detalhe importante, todos devem se ajudar a fim de preparar o que tem que ser preparado.
E, para tudo isso, tem que chegar antes do início da celebração. Só assim terá tempo de preparar o ambiente. Chegar atrasado, não se preparar, ser negligente… é uma forma de dizer que a celebração e aquilo que se celebra não é importante. A negligência é uma forma de negar ou desvalorizar o sacrifício de Jesus e desmerecer o que ele fez em nosso favor.
Estando tudo preparado, quando as pessoas chegarem vão se sentir bem e envolvidas no ambiente celebrativo. Por isso, não se deve ficar “correndo” de um lado para outro, nem falando alto, nem conversando com o colega do lado, nem brincando com o celular, nem fazendo fotos e vídeos… A preparação do ambiente já é parte da celebração. Cada membro da equipe litúrgica, ao fazer qualquer coisa em preparação para a celebração, deve fazê-lo em clima de oração. Deve se lembrar de que sua ação tem a finalidade de celebrar a presença de Jesus Ressuscitado entre nós.
E se for a celebração da missa?
O clima de preparação é o mesmo. Na Missa vamos atualizar o sacrifício de Jesus, depois de ouvir sua palavra orientadora e salvadora. Por esse motivo, também na Missa a equipe litúrgica tem que estar bem preparada.
E, tanto na missa como na celebração da Palavra, a função da equipe de liturgia é ajudar a criar um clima celebrativo, de encontro entre irmãos, de agradecimento a Deus. Ajudar a criar um ambiente de alegria, festivo, mas não de algazarra.
Exatamente o que devemos fazer durante a celebração?
Primeiro lembrarmo-nos de que estamos num encontro de oração. Não se trata de uma reunião de festa, comilança, cantoria ou de falar mal da vida dos outros. É um encontro festivo, com Deus e com os irmãos, para nos alimentarmos espiritualmente a fim de voltarmos para casa com maior disposição de seguir Jesus e realizar suas obras: boa relação com as pessoas, caridade, fraternidade, respeito…
Como isso aparece nos folhetos que usamos em nossas celebrações?
Acolhida: É o início da celebração. E isso se faz com um canto de acolhida: a Igreja está acolhendo os irmãos. Terminado o canto todos nos assinalamos com o sinal de nossa fé, traçando sobre o corpo o sinal da cruz salvadora. Reafirmando nossa fé, pois o que nos reúne é a certeza da ressurreição mostrada por Jesus.
Ato Penitencial: Depois que nos cumprimentamos, com o canto de entrada, vamos nos colocar diante de Deus e dos irmãos admitindo que nem tudo que fizemos foi bom. O Ato Penitencial é o momento de pedir perdão ao Senhor Jesus Cristo que nos perdoe por não termos nos esforçado o suficiente para que seu Reino de amor se instale definitivamente.
Glória: Em agradecimento ao Perdão, cantamos a glória do Senhor. Um detalhe importante: o pedido de perdão é dirigido a Jesus, o Glória é oferecido à Trindade Santa.
Oração da Coleta: Agradecidos pelo perdão e tendo glorificado a Deus, podemos nos dirigir diretamente a ele com nossas intenções. É o momento da oração da Coleta. O presidente da celebração acolhe todos os pedidos da comunidade e, em nome da Igreja faz uma oração pedindo que Deus acolha esses pedidos.
Durante todo esse rito inicial permanecemos em pé, diante de Deus, como sinal de respeito àquilo que ele nos oferece. Proferida a oração da coleta, sentamo-nos para o rito da Palavra
Rito da palavra: Na liturgia da palavra vamos ouvir a proposta de Deus. Deus nos fala na primeira leitura. Nós respondemos com o Salmo Responsorial e nos preparamos para ouvir a segunda leitura. Durante todo esse tempo permanecemos na postura de quem está disposto a ouvir: sentados e atentos às leituras que devem ter sido bem preparadas, ensaiadas, pois Deus está falando por nosso boca. Por isso, ao final da leitura dizemos: “Palavra do Senhor”.
Proclamação do Evangelho: Durante o canto de aclamação ao Evangelho, ficamos em pé, em sinal de prontidão, como aqueles que se levantam da morte para a vida. O presidente da celebração (ou o diácono, quando for o caso) nos convida a reconhecer a presença do Senhor com as palavras: “O Senhor esteja convosco!”. A assembleia responde: “Ele está no meio de nós!”. Fazemos isso para afirmar que reconhecemos o Senhor em suas palavras. Em seguida o presidente apresenta o texto evangélico: “Proclamação do Evangelho…”. Ao terminar a proclamação afirma: “Palavra da Salvação!”.
Homilia: Terminada a proclamação do Evangelho todos se assentam para ouvir a Homilia (conversa em família), os ensinamentos das leituras. Uma explicação das leituras proferidas em busca de ensinamentos a serem aplicados no dia a dia dos irmãos. A homilia é uma catequese, pois atualiza o sentido das leituras para a comunidade de irmãos (homilia: conversa em família) a fim de que todos entendam como devem vivenciar o ensinamento no dia a dia.
Profissão de fé: Em resposta à proposta de Deus, nas leituras e na homilia, a comunidade se levanta e, em pé, afirma sua fé recitando “Creio”. Essa oração é uma síntese daquilo que o Cristão acredita: Deus é Pai criador; Jesus atuou na história, pois é o Filho redentor; o Espírito Santo santifica e conduz a Igreja; os santos são modelos para chegar à vida plena e eterna.
Preces ou Oração dos fiéis: Aquele que acredita, sabe que está próximo de Deus, por isso apresenta-lhe as preces da comunidade e da Igreja. A celebração (da palavra ou da Missa) é uma ação da comunidade. Sendo uma ação da Igreja, ela orienta que se façam preces: pela Igreja, pelo papa e ministros ordenados a fim de que sejam fiéis na condução dos irmãos; pelas autoridades a fim de que promovam a justiça e a equidade; pela comunidade a fim de que se mantenha unida e crente. Em atitude confiante a comunidade se mantém em pé para fazer suas preces: uma conversa franca da comunidade com o Senhor.
Oferendas: A fé nos assegura uma certeza: Deus nos ouve sempre (Lc 11,9). A certeza disso são os dons que recebemos. Como forma de agradecimento pelos dons que de Deus recebemos retribuímos oferecendo-lhe nossa vida. É o ofertório. Agradecendo o que recebemos devolvemos uma pequena parte, como um gesto concreto de pertencimento à mesma família. Levamos em procissão os sinais de nossa gratidão que pode se expressar numa oferta em dinheiro. Enquanto a comunidade caminha para fazer sua oferta os demais, sentados, entoam um canto que expressa a gratidão pelos dons recebidos e que são devolvidos em oferenda.
Preparação para a Comunhão: terminado o rito das ofertas, a comunidade se levanta, em postura de prontidão. É o ponto alto da celebração.
Na missa, após o rito das ofertas inicia-se o rito sacramental: oração eucarística, consagração e comunhão. Permanecemos em pé. Com isso querendo dizer que estamos prontos para responder ao chamado. No momento da consagração pode-se permanecer em pé ou ajoelhado, mas sempre com os olhos fixos no altar, pois ali Jesus está, mais uma vez, oferecendo-se em favor de nossas vidas.
Na celebração da Palavra, o presidente convida a comunidade para entrar em sintonia com o Pai e com os irmãos. Reza-se o Pai Nosso e se faz um rito da paz. Este rito de paz quer nos convidar à reconciliação com os irmãos da comunidade e pedir a ajuda de Deus para construirmos a paz em todos os níveis da vida humana.
A comunhão: Terminado o rito da paz o ministro da comunhão estende o corporal sobre o altar e apresenta a hóstia consagrada. Todos devem olhar para o Cristo ali presente na forma eucarística.
Forma-se a fila para receber o Cristo Eucarístico. Quem vai comungar, em pé, estende a mão para receber a Eucaristia. Enquanto isso toda a assembleia entoa o canto de comunhão.
A Igreja permite que se receba a comunhão diretamente na boca. Mas esta é uma atitude um pouco fora de propósito, uma vez que Jesus se oferece como alimento, quem somos nós para nos recusarmos a tocar nesse alimento sagrado? E se a alegação é que as mãos estão impuras, então todo o restante do corpo também está, pois as mãos não se tornam impuras sozinhas.
A Igreja também admite que a pessoa que vai receber a comunhão fique ajoelhada. Porém, numa festa, quem fica ajoelhado para alegrar-se e alimentar-se? A comunhão é a Festa da Eucaristia; é a Festa da Entrega Salvadora de Jesus. É o próprio Jesus quem convida a nos erguermos para caminhar com ele. A postura litúrgica do seguimento de Jesus é em pé.
Depois que se comunga, pode-se fazer uma breve oração de agradecimento ou ajudar a entoar o canto de comunhão. Sentados em atitude de espera, para que se possa seguir juntos para a oração e ritos finais.
Ritos Finais: Após a comunhão o presidente convida a assembleia para a “oração após a comunhão”. Trata-se de um agradecimento pelo alimento e pedido do auxilio divino para viver o que foi celebrado.
Seguem-se os avisos da comunidade e a benção final. O ato da celebração termina com a benção e todos entoando o canto final. Cantando o canto final deixa-se a Igreja levando a benção de Deus para os lares.
Neri de Paula Carneiro
1.6.26
O QUE CONVÉM?
Você sabe quem disse esta frase? O apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios (6,12).
E porque ele disse isso?
Todo texto bíblico deve ser lido dentro do contexto. Assim sendo, temos que levar em conta o contexto de Paulo, da comunidade e o conjunto do texto. Com isso em mente, temos que nos perguntar em que contexto o apóstolo escreveu esta carta e aí entenderemos porque disse isso e como aplicar isso em nosso contexto litúrgico.
Só assim entenderemos nosso papel na celebração litúrgica.
A frase toda de apóstolo diz assim: “ ‘Tudo me é permitido’, mas nem tudo convém. ‘Tudo me é permitido’, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma” (1Cor 6,12). E ele está falando isso porque nessa comunidade as pessoas estão desrespeitando umas às outras e degradando o próprio corpo.
O apóstolo está falando isso porque na comunidade de Corinto existem muitas coisas que as pessoas fazem livremente, mas nem todas as coisas são agradáveis a Deus. O que agrada a Deus, diz Paulo é cuidar bem do corpo, pois nele habita o Espírito Santo. Portanto, ninguém pode maltratar o próprio corpo nem o de outra pessoa.
Se o Espírito vive em nós, significa que a própria Santíssima Trindade está em nós, pois fomos batizados em seu nome.
E sabendo que toda a liturgia e tudo que fazemos nas nossas celebrações tem como objetivo nos unir àquele que nos fortalece, àquele que vive em nós, somos convidados a fazem bem nossa celebração litúrgica, pois este é um momento especial, no qual cada um de nós estabelece contato com o Senhor. Ou seja, é por Deus e por aquilo que ele nos ensina que participamos das celebrações e executamos as atividades litúrgicas.
E aqui está um dado importante: Nossa obrigação é PARTICIPAR da celebração litúrgica e não apenas visitar a igreja; ou fazer dela um espeço de encontro e de interação social.
Mas, em que consiste esse PARTICIPAR?
Consiste em fazer aquilo que nos compete e não interferir naquilo que compete ao outro: Tudo posso, mas nem tudo me convém!
Em nossas celebrações, tanto da palavra como da Eucarística (a Missa), existem partes que cabem somente ao presidente da celebração; partes desempenhadas por algumas pessoas e partes destinadas a toda a assembleia. Da mesma forma: existem gestos e palavras que todos devem executar e atitudes que não cabem nas nossas celebrações.
Então, o que é Liturgia?
Liturgia é uma palavra que significa ação do povo. É o conjunto de atos, palavras, textos gestos, melodias… executadas por um grupo orante durante uma ação celebrativa. E isso é feito dentro de um ritual preparado pela Igreja.
Porém, devemos entender que a liturgia não é a ação do padre ou do presidente da celebração; não são os cantos litúrgicos, entoados durante a celebração; não são as leituras, proclamadas durante a celebração; não são as preces nem o sentar, ajoelhar ou ficar em pé durante a celebração; não é comungar ou responder às partes que cabem à assembleia, durante a celebração… não é nada disso, feito por cada individuo isoladamente, mas é, ao mesmo tempo, tudo isso, realizado de forma a ajudar toda a assembleia a se sentir mais intimamente ligada a Deus.
A celebração litúrgica é: * o presidente dizendo algo e a assembleia respondendo; * uma pessoa fazendo uma leitura e a assembleia ouvindo e, ao final respondendo; * são as preces proferidas individualmente, mas que toda a assembleia se junta para pedir que Deus as acolha (ao dizer: “atendei à nossa prece”); * é a assembleia toda entoando cantos de acolhida, de oferenda, de partilha, de caminhada, de louvor, de agradecimento…
TODOS devem cantar os cantos litúrgicos, durante a celebração. Os cantos litúrgicos, assim como toda a celebração, não é momento para apresentações ou shows pessoais. Por esse motivo. A equipe que inicia (que pucha) os cantos, deve ensaiar bem entre si e ajudar a assembleia a aprender a melodia e a letra de cada canto. Pois os cantos são preces e pedidos e intercessões e agradecimentos… de toda a assembleia.
Mesmo o salmo: o solista entoa as estrofes e a assembleia responde com o refrão. Da mesma forma a “Oração dos fiéis” ou “oração da assembleia”: uma pessoa lê as preces e a assembleia intercede pedindo que Deus aceite o pedido. Quer dizer, a assembleia assume como sua, a prece de cada indivíduo.
Portanto, a celebração litúrgica é de todos, pois a Igreja somos todos e não só alguns iluminados ou privilegiados; a ação litúrgica da Igreja só ocorre com a participação de todos.
*****
E quais as atitudes que não cabem nas nossas celebrações?
a) Individualismo: A ação litúrgica é ação de um corpo, chamado Igreja e num corpo todos os membros são importantes;
b) Ostentação: atitude e postura de quem quer fazer para se mostrar, querendo ser modelo, exemplo a ser seguido. O único modelo a ser seguido é o de Jesus de Nazaré;
c) Superioridade: Atitude de quem pensa que a celebração lhe pertence. A celebração é uma ação litúrgica da Igreja, ninguém tem direito de se apropriar querendo fazer “do meu jeito”. O único jeito correto é o jeito da Igreja.
d) Atitudes incômodas: Atos ou atitudes que geram distração ou interferem na oração e na sintonia com Deus. Para evitar isso, tudo tem que ser preparado antes: microfone, folhas ou livro de canto, folhetos da celebração, organização da credência; limpeza do ambiente e organização dos bancos; ornamentação… Nada pode ser improvisado ou realizado sem preparação das equipes correspondentes, pois além de mostrar negligência mostra desinteresse para com as coisas de Deus e da Igreja.
e) Acomodação: a postura de quem chega em cima da hora ou atrasado demonstra irresponsabilidade, pois mesmo que tudo esteja preparado, podem surgir imprevistos; a acomodação evidencia a postura de quem não se coloca à disposição para ajudar a organizar o ambiente celebrativo; postura do tipo “eu faço a minha parte e os outros que se virem”. Esse tipo de atitude demonstra, além de imaturidade, falta de empatia, falta de sintonia, falta de dedicação a Deus e à sua Igreja.
*****
A Igreja, a celebração e os atos litúrgicos, são expressões de um corpo. Num corpo os membros não agem como se não fizessem parte de um conjunto. Pelo contrário, cada membro, cada parte do corpo existe para que todo o corpo seja saudável. Qualquer parte do corpo que não funcione bem, prejudica o todo e faz o corpo sofrer. O corpo só está bem quando todo ele está saudável. Cada um de nós, portanto, tem que assumir sua responsabilidade para que o corpo da Igreja seja saudável.
Neri de Paula Carneiro
30.5.26
Santíssima Trindade: Deus é Comunidade.
O que celebramos na solenidade da Santíssima Trindade?
Quem é o nosso Deus?
Como iniciamos nossas orações?
Nosso Deus é um ou são três?
Em que parte da Bíblia está escrito que Deus é Trindade?
Vamos por partes. Na solenidade da Santíssima Trindade, evidentemente celebramos nosso Deus que é um só em três pessoas. Essa, portanto, é uma das mais importantes celebrações da fé católica. E, podemos dizer, está intimamente ligada à nossa profissão de fé. Basta nos lembrarmos o que dizemos quando recitamos o “Creio”: “Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador…”; depois dizemos acreditar em “Jesus Cristo, seu único filho… que há de vir julgar…” e continuamos dizendo: “creio no Espírito Santo”.
Nossa profissão de fé, portanto, é uma fé trinitária. Uma fé que se manifesta na Igreja, naquilo que a Igreja nos ensina a acreditar porque isso nos conduz para a vida eterna.
Portanto, celebrar a Trindade é celebrar a fé em Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Por esse motivo, desde muito cedo, nossas famílias nos ensinaram a traçar sobre nós o “sinal da cruz” repetindo as palavras “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. E dessa forma iniciamos e concluímos nossa orações.
Disso decorre a pergunta que deixa muita gente em dúvida. Não sem fé, mas numa situação de incerteza: é um ou são três deuses? Isso de Santíssima Trindade está na Bíblia?
De forma bem simplificada podemos dizer: um só Deus e três especialidades.
Quanto à Bíblia: não encontramos um texto da Bíblia em que aparece a afirmação de que Deus é Pai e Filho e Espírito Santo. O que encontramos são afirmações dos atributos divinos. Assim temos a face criadora do Deus Pai; a face Salvadora de Jesus de Nazaré, o Cristo e a face santificadora, geradora de comunhão, do Espírito Santo.
Isso podemos observar nas leituras que a Igreja nos apresenta para a celebração da Santíssima Trindade.
No livro do Êxodo (34,4b-6.8-9) vamos nos deparar com Moisés pedindo os favores de Deus para que esteja junto com seu povo: “caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados” (Ex 34,9).
Embora não mencione a Trindade, Moisés enumera atributos divinos: “Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. A partir dessas características, desses atributos é que passamos a identificar as Pessoas divinas. Mas aqui ainda estamos no contexto do Antigo Testamento e a revelação divina ainda não tinha se completado. Isso só se deu em Jesus Cristo.
Por isso é que quando lemos o trecho da carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 13,11-13) nos deparamos com suas palavras esclarecedoras.
O apóstolo nos ensina a nos alegramos no Senhor, apoiarmo-nos mutuamente, viver em comunhão e em paz.
E por que Paulo faz essa recomendação? Para que cresça na comunidade a “graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo”.
Notemos: aqui o apóstolo menciona as três pessoas, embora não use, como nós, a expressão Pai, Filho e Espírito. Sua fórmula é levemente diferente, mas menciona as três Pessoas.
Quando lemos o trecho do evangelho de João (3,16-18), compreendemos melhor.
O que ele diz? Afirma que “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho”. E aqui o raciocínio é simples: Se Deus enviou o Filho é porque ele é Pai. Assim, a afirmação de Paulo, mencionado o amor de Deus, a graça de Jesus e a comunhão do Espírito completa a Trindade.
Assim temos que Deus é Pai de amor, porque nos deu a criação para nela crescermos; Jesus é Filho e como tal veio a nós para nos redimir. A redenção, embora seja um dom pessoal destinado a cada indivíduo, depende da interação entre nós, por isso vem sobre a Igreja a comunhão do Espírito, para que os indivíduos aprendam a viver em comunhão, como existe comunhão na Trindade.
Isso nos ensina uma canção sobre o Espírito Santo, na qual irmã Miria Therezinha Kolling e Lúcio Floro explicam a Trindade: "Aconchegais como se fosse um ninho, convosco o Pai, o Filho em tal união, que Deus é único sem ser sozinho: são três amando num só coração".
É um só Deus, agindo de três formas diferentes e nos convidando a vive em comunidade pois assim criamos comunhão, que é o dom do Espírito. Assim podemos nos ajudar a caminhar no caminho do perdão, pois vivemos entre irmãos limitados e fracos, carentes do perdão do Filho e todos nos dirigimos ao Pai que nos quer em seu amor, agora e para sempre.
Neri de Paula Carneiro
21.5.26
O católico na celebração
O que podemos e o que não podemos fazer, durante a celebração da Palavra ou durante a Missa (Celebração da Eucaristia) ou nas celebrações dos outros sacramentos?
Antes de respondermos isto, temos que nos perguntar: o que vamos fazer na igreja (o templo) em que nos reunimos para a celebração? (Lembrando que chamamos de igreja – escrita com letra minúscula – aquela construção onde nos reunimos para celebrar. Diferente de Igreja, que é a assembleia dos fiéis. Podemos dizer que a Igreja reúne-se na igreja).
Vamos à igreja para: encontrarmo-nos com os demais membros da comunidade que comungam a mesma fé; celebrar nossa fé; ouvir a Palavra de Deus; participar da celebração que faz a memória da entrega de Jesus.
Não vamos à igreja para: bater papo; mostrar uma roupa nova; mostrar que sabemos mais do que os outros; fazer fofoca; falar da vido dos outros…
A igreja, nosso templo, é uma casa de oração, por isso foi que Jesus se zangou (Jo 2,16) contra aqueles que haviam transformado o templo num ponto de encontro e comércio. O templo, é casa de encontro, para a oração em comum.
Lembremo-nos que Jesus ensinou duas formas de oração:
Oração individual para fazer no silêncio das nossas casas (Mt 6,6);
Oração comunitária (Mt 18,20), no templo. Jesus mesmo fazia dessa forma: afastava-se do grupo para orar em silêncio e frequentava o templo para as orações em comunidade.
Nossa sintonia com Deus deve ocorrer em nosso cotidiano, em cada momento, em cada ação, no silêncio do nosso coração. Também deve ocorrer, pelo menos uma vez por semana, em sintonia com os demais crentes, na casa de oração, junto com toda a Igreja.
A oração pessoal pode e deve ser feita em qualquer lugar; em qualquer momento. Para agradecer e pedir.
Por que devemos nos reunir, na casa de oração? Para agradecer a Deus os dons recebidos; para pedir graças; para nos fortalecermos diante das dificuldades; para rezarmos uns pelos outros.
E como devemos fazer essa oração comunitária? PARTICIPANDO das celebrações!
O encontro na casa de oração não é para assistir à Missa, nem para ouvir o que dizem os ministros. A igreja não é uma casa de espetáculo onde vamos assistir a uma apresentação. Nem a equipe que dirige a celebração são artistas apresentando-se em um show. O padre, os ministros, a equipe de cantores, os leitores, os salmistas, os acólitos e coroinhas… estão realizando uma função litúrgica e não numa apresentação teatral; não estão ali para serem vistos, aplaudidos ou criticados. Sua função é ajudar a comunidade a participar de um ato celebrativo. E a comunidade, a Igreja, também está lá para celebrar e, portanto, não deve permanecer indiferente a tudo que acontece. Para isso, a equipe que conduz a celebração tem a função de motivar a todos para a celebração; ajudar a todos a entrarem em sintonia com Deus.
Assim sendo, se a celebração é o ponto de encontro e sintonia com Deus, não é momento de: conversar com quem está do lado; mexer em celular; reparar a roupa, o cabelo ou qualquer outra coisa das pessoas. Não é momento de sair para tomar água nem levantar para dar um passeio lá fora. É tempo de prestar atenção no que está sendo celebrando; aproveitar para estabelecer um clima de intimidade com Deus; seguir, com atenção, os ritos litúrgicos que são canais de encontro com Deus.
O encontro celebrativo é para participarmos como um corpo. Podemos entender melhor se compararmos a uma refeição. Vamos usar o almoço como exemplo. Quais partes de nosso corpo usamos para almoçar? as mãos, a boca e na maioria das vezes nos sentamos. Porém, quando ingerimos o alimento, todo o corpo participa, no processo digestório e na assimilação dos nutrientes. As mão não são mais importantes que os pés, pois sem os pés não conseguimos chegar até onde as mão vão manipular o alimento… e assim todos os demais membros do corpo.
A equipe litúrgica pode ser comparada com as mãos que manipulam o alimento para que todo o corpo seja alimentado: são as mãos que entregam o alimento ao corpo que é a comunidade; as mãos que servem o corpo.
Os diferentes membros do corpo de Cristo, que é a Igreja, reúnem-se para celebrar. E isso só acontece quando não agimos como se fossemos plateia num show ou num teatro. A celebração, portanto, depende da nossa participação. A celebração é um diálogo da comunidade com Deus.
Em qualquer lugar, em qualquer tempo, para que haja um bom diálogo, é necessário saber ouvir e saber falar.
Em nossa conversa com Deus, que ocorre na celebração (tanto da Missa como da Palavra) existem momentos em que Deus nos fala e nós ouvimos. E momentos em que nós falamos e Deus nos ouve: saber ouvir e saber falar.
E quais as posições de nosso corpo, durante esse diálogo, que é a celebração, ou o ato litúrgico?
Durante a celebração há momentos em que nos ajoelhamos, sentarmos e ficamos em pé
O que significam os gestos de ficar em pé, sentar e ajoelhar?
Em pé é a atitude de prontidão. É a atitude de quem ressuscitou e está pronto para caminhar com Jesus. Sentado é a atitude do discípulo que ouve. É a atitude de quem se dispõe a ouvir o ensinamento, a proposta de Deus para ser vivida ao longo da semana e durante toda a vida. Ajoelhado é a atitude de prostração. É a atitude de quem está morto nas fraquezas, na indiferença, no pecado. Por isso é que depois de se ajoelhar, a pessoa se levanta como a dizer que estava morto e com Cristo está ressuscitando.
Iniciamos a celebração em pé, por que é momento da chegada, do encontro. Depois nos sentamos para ouvir o que Deus nos tem a dizer, nas leituras. Ficamos em pé para acolher e ouvir Jesus falando na proclamação evangelho. Sentamos, novamente para ouvir a explicação das propostas que Deus nos fez por meio de sua Palavra.
O sinal de que estamos cientes, entendemos e concordamos, com a proposta divina é colocarmo-nos em pé. Levantamos dizemos que acreditamos e por isso fazemos nossas confidências ao Senhor: oração do creio e as preces.
Agradecendo a generosidade divina, nós nos oferecemos a ele. Oferecemos nossa vida no ofertório. Como símbolo dessa entrega, podemos depositar o fruto de nosso trabalho representado pelo dinheiro no cesto da coleta. Depois do ofertório vamos nos preparar para a refeição, por isso nos colocamos em pé.
Na missa, no momento da consagração, podemos ficar em pé ou ajoelhados. Mas sempre com os olhos voltados para o altar, em sintonia com o gesto de entrega de Jesus que se oferece como pão e vinho.
Em seguida nos colocamos em pé porque vamos receber de Deus o alimento para a vida: o corpo e o sangue de Cristo. O momento da comunhão é o ponto alto da festa em que nos encontramos com o Cristo Ressuscitado e que se oferece como alimento para nos dar vida.
Quem vai comungar caminha para receber o Senhor. Quem não vai comungar, permanece sentado, cantando, pois numa festa tem que haver alegria. Terminada a refeição, a comunhão, vamos nos preparar para voltarmos aos nossos lares levando Deus Conosco. O Deus que nos falou e que nos alimentou vai junto conosco para permanecer em nossos lares e nos iluminar em nossos afazeres durante a semana.
E, na semana seguinte voltamos à igreja para, como Igreja nos revigorarmos e refazermos o percurso celebrando a presença de Deus entre nós.
Neri de Paula Carneiro
Mestre em Educação, filósofo, teólogo, historiador.
16.5.26
Sedução
Sedução, pura energia,
é sentimento em ação.
É o desejo, é a emoção,
é o beijo na boca da paixão,
é o dínamo que impulsiona
o motor da criação.
A força dessa energia move
não a boca para o beijo,
mas o desejo feito tesão.
Não o abraço que aquece
os corpos, mas o calor
que acende o desejo.
Não o aconchego passivo,
mas o regaço ativo da
sedução.
Neri de Paula Carneiro
12.5.26
Instante fecundo
No instante eterno da criação
toda a dinâmica do cosmo,
feito um dínamo de luz
naquele fiat genético,
encontrou sentido
num momento
fecundo
quando a luz
veio ao mundo
não só em amparo
à condenação humana
no abissal recanto das trevas,
mas como indescritível gesto de amor
da divina energia inovadora dando à luz a existência.
Neri de Paula Carneiro
5.5.26
As cores litúrgicas
Todos aqueles que frequentam a missa – ou as celebrações da palavra – já observaram e se perguntam: por que de tempos em tempos o padre e as toalhas dos alteres aparecem com cores diferentes.
Os mais atentos já devem ter observado que em algumas missas o padre usa uma estola branca, em outras usa verde, depois muda para roxo ou vermelho. As alfaias – as toalhas dos altares – também mudam de cor, acompanhando as cores da estola do padre.
(Estamos nos referindo apenas à estola, que é aquela “faixa” de tecido que o padre usa como se fosse um cachecol e que representa a autoridade do seu ministério. Porém, quando o padre veste uma casula, ela também é verde. Casula é a veste litúrgica que o padre veste sobre a túnica e a estola, representando a proteção de Cristo).
Por que essas mudanças de cores?
Dentro de sua sabedoria, a Igreja usa diversos símbolos para falar sobre os diferentes momentos da vida de Jesus. Um desses símbolos é a cor. Aliás, toda a liturgia é cercada de ritos simbólicos e todos querem nos ajudar a olhar, entender e seguir os passos de Jesus de Nazaré.
Assim sendo, com cada cor litúrgica a Igreja quer nos ensinar algo a mais para melhor nos relacionarmos com Jesus Cristo e com os irmãos.
Com as cores: roxa, branca, verde e vermelho, a Igreja sintetiza os principais momentos do ano litúrgico. E, com isso, nos convida a nos aproximarmos mais dos mistérios da vida e missão da Jesus (mencionamos apenas estas por serem as mais comuns, mas também se usa o dourado, o tom róseo e o preto).
O Ano Litúrgico inicia-se com o Advento. Tempo de reflexão e penitência. Para simbolizar isso a Igreja usa a cor roxa. Por isso o roxo também é usado na Quaresma. Quando o padre atende confissão ou faz as orações junto a uma pessoa que morreu, também usa uma estola roxa.
Seguindo o Ano Litúrgico, depois do Advento vem o Natal e o tempo do Natal. Nesse período a cor é branca. Essa cor, além de simbolizar a paz, para a Igreja também representa a alegria, sinal da ressurreição. O Branco é usado em celebrações festivas: Natal, Páscoa e nas celebrações de quase todos os santos, com exceção dos santos mártires.
Após o Ciclo do Natal inicia a primeira parte do Tempo Comum, período do Ano Litúrgico em que acompanhamos os diferentes passos e ações de Jesus de Nazaré. No Tempo Comum, usa-se o verde. Essa é a cor da esperança. Quem caminha com Jesus está na estrada da esperança: de seguir seus passos em favor dos irmãos e de acompanhá-lo na estrada para o Reino. Com o verde o cristão alimenta a esperança em poder participar do Reino que virá ao mesmo tempo que alimenta a esperança de não se perder na caminhada, afastando-se dos irmãos.
O Tempo Comum é formado de dois momentos. O primeiro, vem logo depois das festas natalinas. Compõe-se de seis ou sete semanas que antecedem ao período da Quaresma. Neste período litúrgico, a Quaresma, também se usa o roxo.
A Quaresma, assim como o Advento, é um período de preparação:
* no Advento nos preparamos para receber Jesus menino;
* na Quaresma nos preparamos para comemorar a ressurreição de Jesus, na grande comemoração da Páscoa.
Porém, antes da Páscoa, ocorre a Semana Santa que começa com a Quinta Feira Santa, na qual a cor é branca, pois trata-se de um dia festivo, uma vez que nesse dia Jesus se entrega como nosso alimento eucarístico e nos convida a perpetuar a memória de seu gesto de doação.
O dia seguinte é a Sexta Fira Santa. É o dia da entrega do Senhor. Os paramentos (vestes do padre) e alfaias são vermelhas, simbolizando a entrega da vida, o sangue vertido na cruz.
Na noite de sábado, o Sábado Santo, a cor litúrgica é branca, pois é uma celebração de alegria, de vida nova, de plenitude das promessas de Deus.
Além da Semana Santa, o vermelho também é usado nas celebrações dos mártires, por exemplo, São Pedro e São Paulo. Porém as festas de Nossa Senhora a cor litúrgica é branca, pois representa a alegria e a pureza da mãe de Jesus.
Resumindo:
Branco: é a cor de pureza, usa-se nos dias de Nossa senhora, festas alegres da vida de Jesus e dos santos virtuosos;
Verde: é a cor da esperança, usa-se durante o tempo comum, no qual celebramos o cotidiano da vida de Jesus;
Roxo: é a cor da penitência e da reflexão. Usado no Advento, Quaresma, atendimento de confissão e rituais com defuntos;
Vermelho: é a cor da entrega da vida. Com do sangue de Cristo. Usada nas celebrações de santos mártires, semana santa e celebrações que lembram o martírio.
Este circulo colorido, retirado da Internet (https://agenciaparabola.com.br/como-e-dividido-o-ano-liturgico/) , ajuda a entender a organização das cores litúrgicas ao longo do ano.
Neri de Paula Carneiro
1.5.26
SÓ VOCÊ
Só nos dois sabemos, quando te fiz mulher teu coração estava saindo de uma noite de muitas noites de ausências.
Só que, você sabe, não nos pertencemos. Nos entregamos tantas vezes e todas foram únicas, pois não nos embalava o desejo, mas a doação, divino dom.
Depois de você, nunca mais fui eu: sou você sem mim.
Só nos dois sabemos o drama do existir sem nos dar no calor do abraço, na vida, no beijo, na cama, nos planos de todos os dias.
Só você, nós sabemos, me conheceu plenamente, pois tomou nas mãos meu coração que te pertence. Está em meu peito, mas vive contigo: eu sem você e você em mim longe de ti.
Depois que nos separamos, meu destino longe do teu, vivemos duas vidas que eram uma, pois te afastastes de mim quando te deixei, por sonhos que não eram meus.
Só hoje, ao te ver em minhas lembranças, entendi que te fostes, pois tu festes a única sendo eu o teu primeiro. Onde estas, onde estou? Pergunto-me em minha noite sem você.
Só você, não estando aqui, permanece viva em mim. Sem ti não morri, visto que ainda sonho com teu perfume me embriagando, no balanço do bolero que dançamos embriagados de amor. Mas não vivo, pois só a lembrança não é vida e, quando vida, se faz ausência. Só o sonho me alimenta. Só você está em meu sonho. Só, sem você, sei que vivi com você, mas depois de você, onde está a vida?
Neri de Paula Carneiro
30.4.26
MÃE O ANO INTEIRO
Maio:
Mamãe querida!
Mamãe, te amo!
Mamãe, sentido da minha vida!
Mamãe, sem você eu nada seria, nem sei se seria.
Mamãe, você é tudo!
Mamãe, fonte de vida.
Mamãe, ventre sagrado…
Mamãe, luz do Criador!
Mamãe, rainha do lar.
Mamãe: faturamento comercial!!!
….
Junho: Mãe, ‘cê lavou minha roupa?
Julho: Mãe, cadê meu tênis?
Agosto: Mãe, vou chegar tarde hoje.
Setembro: Mãe, tá pronto o almoço?
Outubro: Mãe, ‘cê lavou meu uniforme?
Novembro: Mãe, para de pegar no meu pé, já cresci.
Dezembro: Mãe, o que tem hoje pro o almoço?
Janeiro: Mãe, onde está aquela camiseta?
Fevereiro: Mãe, coisa chata, já disse que não quero.
Março: Mãe, tô com dor de cabeça!
Abril: que saco, mãe!
Maio:
Neri de Paula Carneiro
24.4.26
BENDITO
És o mais bonito, meu país.
Bendito és, não pela cruz
que te cravaram em teu
dia primeiro, mas
pelo sonho que
inspiras.
Terra, água, sol, mar… tudo.
Bendito és, não pelo dom
da exuberância natural,
presente do criador,
mas por teu povo,
herói lutador
Tua gente, meu país, gigante.
Bendito és, não por tantos
te massacrando. Gritas:
desumano! Tanto
dano mancha
rubro chão
Brasil!
És pátria, amada, Brasil e assim
bendito és. É assim teu povo
teu chão, teu sertão. Tua
cruz nos deu Jesus que
clama: esse povo
merece comer, quer
viver, não nessa cruz,
mas dos frutos do labor
hoje negado. É abençoada:
terra, água, sol, mar: povo bendito!
Neri de Paula Carneiro
18.4.26
É DOCE
É doce morrer no mar
No doce mar da paixão
Triste do amor que morre
No sal triste da solidão
Em meu poema prolixo
O amor vem do oceano.
Viaja em palavras, sufixo,
morfema, radical pequeno.
Mostra seu predicado,
pois cresce sem pecado
no presente do verbo amar
como quem ama sonhar
No doce mar da paixão,
é doce morrer nesse mar.
NEM DÁ TEMPO
Nem dá tempo de dizer:
Agora!
E o tempo já se foi.
Tempo que seria
tempo de espera,
tempo esse que é.
Tempo pra depois.
Nem dá tempo de sonhar
e a noite virou dia
trabalho, luta correria,
fadiga. Está pronta
a melodia.
E o tempo, onde está?
Passou, como passa a poesia
Nem dá tempo e os ponteiro do
relógio tricotam todo tempo
estendido, lento, dentro
do espaço infinito
escorrendo no
longo vão de
um breve
tic-tac!
Tic!
9.4.26
VIVER COBRA AMOR
VIVER COBRA AMOR
Neri de Paula Carneiro
Como perdoar o perdão por ser assim
generoso?
Como não gritar ao vento esse seu gesto
bondoso?
Se o viver cobra amor, que sobra para
redimir?
Oh! triste sina, do perdão! Sobreviver
em meio à maldade e ingratidão. Ele
só é necessário onde não existe amor
em gestos e no coração.
Se amor e generosidade houvesse,
se gratidão florescesse, se ambição
não existisse… não haveria perdão.
Seria ele desnecessário!
Quem ama não magoa. Não havendo
agressão, desnecessária a redenção.
Oh! bondoso perdão, em seu lugar
haveria: gestos de alegria, abraços,
sintonia de corações em harmonia
de vida. E a paz seria um dom,
crescendo no jardim da amorização.
1.4.26
FRASES SOLTAS
Frases soltas soltam meu grito
que cala tudo que pensei dizer
com meu silêncio;
Frases soltas soltam e selam
minha angústia que interpela
a fome: um suplício.
Frases soltas clamam meu grito:
o silêncio é conivente com a
dor do sofredor.
Frases soltas me incendeiam,
desafiam o olhar, a consciência:
silêncio desolador.
Frases soltas não condizem
com a esperança de mudar
essa torpe agressão.
Frases solta só
soltam
palavras, que não
cobram compromisso, pois
o silêncio do grito emudece
a canção.
Neri de Paula Carneiro
26.3.26
SEU NOME?
Ele chegou de mansinho
e foi ficando.
Instalou-se, não como se
fosse invasor, mas
como quem sabe que vai
permanecer e fazer moradia,
alojar-se de forma definitiva.
Tocou meu ser, devagar, mas com intensidade
Claro que eu não queria,
mas ele se apossou de mim,
penetrando, fundo em meu ser.
Hoje sei, foi violento e inesperado.
Gelei,
mas não gritei:
Não era isso que eu queria para minha vida.
Nunca havia sentido algo
tão intenso, vibrante, algo
tão forte, indefinível, algo
que mexesse com meus sentimentos, como ele.
Só então, com ele dentro do meu ser,
foi que o conheci plenamente.
Seu nome?
Medo!
Neri de Paula Carneiro.
Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador
Outros escritos do autor:
Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.
24.3.26
POEMA PEQUENO
Quero um poema pequeno,
que seja grande,
que saiba falar,
com palavras simples, o que
o coração pode sussurrar; que
seja igual a grandeza
que o coração sabe guardar;
que seja o infinito do coração
que sabe amar...
Neri de Paula Carneiro
23.3.26
MEDO DO MEDO
Meu medo é não ter medo e me tornar
temerário: não temer magoar quem ama
para admirar quem açoita, esse é o drama.
Ensinou o velho Raul:
“Conserve seu medo”, pois com ele aceso
se pode perder o “medo da chuva” que
volta pra terra trazendo “coisas do ar”
Meu medo é não ter medo do medo
e sem medo arriscar. Se não arriscar,
como perder o medo?
Não perde quem arisca, mas que teme
ariscar e perder e por medo de perder
deixa de ganhar. Vence não
quem teme, mas vive “sem medo de nada”
Meu medo não é ter medo, mas não ter medo
e sem medo, confiar como quem
confia na bengala.
A bengala é fiel, infiel é quem
provoca a cegueira.
Cego é quem nada sabe e, por medo
do saber, nega o saber, ensina mentiras.
Meu medo é não ter medo de não ter medo.
Temo não o incerto, mas a certeza
de quem não sondou e crê. A fé não
é admirar o incompreensível, mas
saber das possibilidades.
Não foram as certezas que impeliram
a humanidade, mas os medos.
Neri de Paula Carneiro.
Mestre em educação, filósofo, teólogo, historiador
Outros escritos do autor:
Literatura: https://www.recantodasletras.com.br/autores/neripcarneiro.
18.3.26
COMO POSSO?
Como posso cantar as flores
se ao meu lado choram sementes?
Como posso cantar alegria do encontro?
se ao meu lado choram as despedidas?
Como posso cantar a natureza
se ao meu lado choram as rosas?
Como posso cantar o luar
se ao meu lado chora o alvorecer?
Como posso cantar um novo dia
se ao meu lado choram raios de sol?
Como posso cantar jardins floridos
se ao meu lado choram os beija-flor?
Como posso cantar o amor
se ao meu lado choram as noites?
Como posso cantar nossa melodia
se ao meu lado grita tua ausência?
Como posso cantar nosso encontro
se ao teu lado sou só saudade?
Neri de Paula Carneiro
REFLORIR
Verde!!!
Ah! O aconchego da brisa.
Natureza vibrante de vida,
transmitindo vida!
Vigor, vitalidade: esperança!
Certeza: natureza
viva, vivificante!!!
Esverdeado!...
Força decadente...
Natureza morrente…, descrente….
Só, se sente impotente...
Quente: sol escaldante…
deprimente.
Desfolhada. Desolada findante.
Aquilo que era antes vigor e vitalidade
Agora são galhos secos qual dedos
cadavéricos, dedos enrijecidos.
Galhos já falecidos.
Quando vão verdejar?
Amarelecida...
Esperança finda…, aquela esperança,
ainda teima em resistir...
Resiste em sucumbir…
Refazer o verde e florir. Reflorir!
Neri de Paula Carneiro
17.3.26
MEU SONHO
Se soubesses, morena, o que esconde
meu sonho contigo…
Pensando em ti, me vejo acordado.
Sonhando te vejo.
Meu sonho é desejo.
Se soubesses, morena, o que trago
escondido na mente…,
acordavas comigo enlaçando
teu corpo na noite.
Tua ausência, um açoite
Se soubesses, morena, o que sonho...
Todo instante recordo
que é sonho somente. Lamento
não ter ao meu lado,
teu corpo ao meu abraçado.
NERI DE PAULA CARNEIRO
POSTURA CELEBRATIVA
Como devemos nos portar durante a celebração eucarística ou da palavra, em nossas comunidades? Para que servem os folhetos da celebração? O...